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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Virgílio Ferreira de Sousa(Love), 07 de junho de 1914 a 25 de setembro de 1973

         Love, como tradicionalmente era chamado, é filho natural de Patos-PB, no seio da família do senhor Juvino Ferreira de Sousa e Maria Madalena da Conceição, que tiveram uma prole de 10 filhos: Joaquim Ferreira de Sousa, Maria, Antônia, Zulmira, Luzia, Maria das Neves, e Manoel (estes todos in memória), ainda Sinésio(Tocador de fole de oito baixos), e Geracina (Lica).
Contam que seu pai Juvino era tocador e foi a uma festa no Rio Grande do Norte-RN, quando ouviu um brilhante tocador chamado Love Anvi fazer sua apresentação. Ao chegar de viagem procurou a esposa que estava de barriga e disse: -``Dona Maria, si esta criança que a senhora esta esperando for homem, vai ser chamada de Love!`` Acontece que no dia do batizado o padre encrencou com o nome e não aceitava batizar assim (naquela época os registros só eram feitos após ser batizada a criança), e apenas hoje é que sabemos a tradução da palavra ( Love,  é amor em inglês), e dono da situação  disse: -`` Eu vou batizar por Virgilio, agora depois vocês chamem como quiserem!``.
Virgilio, era só nos documentos e ai de quem pronunciasse este nome na rua! Seu Juvino (in memória), baixou uma ordem e é seguida até os dias atuais pelos seus filhos, e também pelos netos.
            Love não estudou, dedicou o seu tempo, desde os oito anos, a tocar o fole de oito baixos, instrumento que começou a fazer shows nos diversos bailes e nos vários cabarés de Pombal-PB, ainda jovem.
            Em 1938 casou-se em Desterro de Malta, hoje Vista Serrana-PB, com Maria Leite, com quem teve dezoito filhos, criando apenas cinco destes: Creuza, Ivonete nascida em 26 de setembro de 1946, Antônio, Creuzuita e  Francisca Leite Ferreira.
No ano 1943, mudaram-se para cá, iniciando uma vida nova com os seus,  e trabalhando na agricultura, a sua grande e inseparável paixão.
Por Pombal, trabalhou primeiro no Sítio de dona Melânia próximo a ponte beira rio, depois trabalhou com seu Severino no Sítio São Joaquim, ainda com Getro de Burgo, Luís Pedro ( genro de Melânia), Seu Liu e por ultimo  Zé Bento(segundo sua filha não tiveram direito a nada das plantações deixadas por seu pai, nem elas tão pouco a outra família, pois teve uma segunda), e disse: -``Nesse tempo eu era mulher nova, fui quem pagou para fazer o restante do serviço, vi muito melão e melância grande, mas não tiramos sequer uma raiz de algodão!``
No início de 1947 afasta-se de suas atividades na casa das mulheres, o senhor José Vitalino, a casa naquele momento pertencia aos herdeiros, Romão e Romeu(pai do sargento Wilson, in memória),  como já funcionava o ambiente, Love que tocou algumas vezes por lá decidiu arrendar o local( Love tocou ao lado de um sanfoneiro chamado de Nemias, um grande  homem, mas após cometer um crime, decidiu sair da cidade e levou consigo o seu talento e o seu instrumento). O imóvel era de uma estrutura imensa, um ambiente enorme distribuído em 02(dois), salões grades de festas, 1(um), salão de jogos/cassino,16(dezesseis), quartos sendo 06(seis), do lado direito, 06(seis),  a esquerda, e 04( quatro aos fundos),  todos para os encontros amorosos além de 01(uma), cozinha grande para as refeições das mulheres que sempre apareciam nos fins de semana, para fazer as festas, além das outras que eram trazidas por Love do Ceará ( Quinzenalmente um caminhão era enviado devolvendo as mulheres trazidas por Manassés, e outras eram trazidas em substituição dias mais tarde), a fim de atender as expectativas dos homens desta cidade e dos viajantes que cortavam por casualidade estes rincões pombalense.
Love possuía um espírito empreendedor, e enviava para fazer as feiras da cidade de Poço de Zé de Moura-PB, e numa baixa de arroz grande que tinha por lá, o Magro do cassino, instalava as camas e depois da feira retornavam a Pombal-PB. Também enviava Cícero de Benben para garantir o almoço da turma, que era galinha.
Genival Severo, líder na radiofonia da terra de Maringá, conheceu Love e revelou: -``Quando cheguei de São Domingos, eu já era um rapazinho, e observava o movimento do local. Como eu não tinha dinheiro para frequantar a casa ficava só olhando aquelas belas mulheres desfilando pela antiga Rua da Rodagem. Daí a pouco, Love dava uma espiada pela janelinha aberta para o salão das festas, do cassino, era de lá que ele olhava o movimento, e quando estava cheio o dance, ele corria e de posse de um moral cobrava de todo mundo, não ficava ninguém, só sobrava o Tarzan da família Américo! Essa cota era para cobrir o contrato já acertado com o sanfoneiro, o resto era lucro, e já era tudo combinado, pois Love pisava no batente o músico freava o instrumento, para só continuar depois de recolhida a cota. Virgem! Agora quando estava cobrando e me via lá dentro dizia para eu ir embora dali, pois não queria de menor por lá, e eu saía, mais depois voltava! Era um movimento grande, parecia uma grande festa, chamava a atenção das pessoas todas que passavam por lá, muito bonito!``
Creuza revelou que os homens da cidade não pagavam cota, pois eram sabidos demais, e que seu pai costumava cobrar sim a cota, mas que era aos sábados quando vinham as turmas grandes da zona rural, aí ele fazia a festa!  Lembrou que o imóvel foi comprado anos mais tarde por seu Chico Pereira (foi prefeito e deputado em Pombal), e a esposa de Love dona Maria, foi quem pagou pela escritura da casa no cartório com suas economias. Dona Maria, vendeu uns porcos por 40$000,00 Mil reis a Carrolino, para pagar pela escritura, mas depois de muitos benefícios feitos no prédio,  seu Chico Pereira mandou derrubar a casa, isso mesmo, pós no chão! Mandou demolir, e ainda deu os tijolos aos seus moradores, só restando a poeira e a lembrança do local de diversão. Os reais motivos  são desconhecidos por Creuza, pois ela revelou que na época deste acontecimento, seu pai já estava numa segunda união com Gercina Pereira dos Santos, vulgo Neguinha de Love, com quem viveu mais de 30 anos, e teve 3 filhos chamados:  Antônio, Carlos e Neto.
A casa ficava ao lado esquerdo de quem entrava na cidade, quase de fronte ao Grupo Escolar José Avelino de Queiroga (Grupo do Roí), hoje está apenas o terreno baldio. Revelou Creuza: -`` Love saia de manhã cedo de bicicleta para o Sítio e por lá passava o dia todo, voltando à tardinha para o Brega, e em algumas ocasiões ficava no sítio, restava a incumbência do seu empreendimento a sua atual mulher que abria o Brega todas as noites. Ele era um tipo alto, cerca de 104 kg, e carona amarrada, para intimidar os malas, mas muito bom! Agora adquiriu diabetes e teve de ser levado umas cinco vezes para Patos-PB, a fim de  fazer um tratamento da doença. Na sua ultima consulta, foi levado à força para a vizinha cidade, não queria deixar o seu roçadozinho, tinha muita paixão pelo que plantava e achava tudo belo!``
 Love não resistiu muitos dias, neste ultimo retorno ao médico, seu quadro complicou, e foi vitimado pelo diabetes, partiu.
A Virgilio Ferreira de Sousa(Love), o meu muito obrigado! Obrigado por sua dedicação a Pombal-PB, e a agricultura esta cidade. Os seus dois trabalhos, favoreceram nossa gente, o primeiro de maneiro fora dos padrões da moralidade da sociedade, mas como visitava quem queria, e ninguém era forçado, tão pouco chamado a visitar, contribuístes! E o segundo contribuiu para o processo de desenvolvimento da agricultura desta belíssima terra de Maringá. Que Deus te dê a recompensa que te é por direito e conceda a sua paz.

                                                                                      Texto Paulo Sérgio

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Godofredo Alcântara Bispo (Godôr), 20 de novembro de 1913 a 28 de Outubro de 1991


           Godôr, nasceu na zona rural de Pombal, era filho do casal Severino de Alcântara Bispo e Joana Tereza de Paiva(tinham propriedade em Serra dos Martins-RN, mas como nunca foram atrás perdeu-se pelo uso capiau), tinha quatro irmãos: Olivia, Ninir, Amaro e Margarida. Um fato interessante sucedeu  com este casal, antes da união, pois Severino foi caçar no sítio Barra e Antônio Raimundo(que era uma criança na data), puxou o gatilho da espingarda que estava escostada numa árvore, e ao declinar feriu o jovem caçador. Estavam próximos do local o marido de Nenem, filha de João Facundo(carcereiro velho da cadeia antiga, in memória),  e Zé Menandro (pai da popular Lapa, ambos in memória), que o socorreram no sítio uma vez que o único recurso, era a farmácia de manipulação de seu João Queiroga(in memória). Ficou  o morimbundo sob os cuidados de Joana( moça donzela e mais velha do que ele uns quatro anos), e quando ficou recuperado, perguntaram qual seria o pagamento que daria a jovem pela atenção dedicada. Ele então disse:  -`` Casando com ela !`` Como ele era bem de posses, casaram-se em 1912, e dos cinco anos de união foram cinco filhos. Godôr era pequeno quando perdeu o seu pai que residia no sítio Forquilha ao lado do sítio Cambôa. Sempre contava aos filhos que ficava junto de um banco grande de madeira no alpendre de casa e gritava para o pai ao sair para fazer a feira aos sábados:  ``Traga pão Papai!``
Se sentindo distante dos familiares, dona Joana, trouxe a sua família para morar na Rua do Comércio(uma das principais na data),  hoje é chamada Rua, Cel. João Leite. Chegando em Pombal-PB, Godor, não quiz aplicar-se aos estudos, como a maioria dos jovens, se entregou ao trabalho braçal, para sustentar com a mãe a família. Esta experiência rendeu a ele sabedoria e pratica para diversas atividades, era polivalente.
Quando homem formado, conheceu a senhorita Enedina Cardoso Cruz e no dia 12 de fevereiro de 1936, na presença do Padre Valeriano Pereira, na matriz desta cidade casaram-se, e formaram uma família de sete filhos, sendo eles: Severino, Maria da Salete(viúva de Negro Benigno), José de Arimatéia, Francisco Cardoso , Elenita e o casal de gêmeos Francisco e Francisca de Assis.   Assim que casou construiu sua casa na Rua de Baixo, e nunca saiu de lá.  Jerdivan Nóbrega, um filho de Pombal também morador daquela rua, quando criança e escritor, em um artigo que escreveu sobre o amigo Godôr esclarece seu grau de parentesco com a família :  -``Dona Enedina era prima legitima da minha avó, mãe Lourdes e filha de Onofre Benigno Cardoso, irmão de Ana Benigno, minha bisavó, ambos filhos de Benigno Cardoso. Moravam na Rua de Baixo (Rua Benigno Cardoso) numa casa, ao lado da casa de Seu Joaquim e, mais à frente a casa de dona Noca, Chico de Lourdes, Cessinha de Cabine. Do outro lado, dona Porcina e Zé Vicente. Do lado esquerdo, a casa de Maurício Alves, seguindo pela de Zé da Viúva, João Rapadura e a nossa, e por fim, na outra esquina, a casa de Dona Maloura e o campinho onde  armavam os Circos``. Continuou dizendo`` Sua casa era de sapê, sempre à espera do acabamento que nunca veio. À frente, o curral dos jumentos e das mulas . Na parede na parede ... e o retrato do Sagrado Coração de Jesus .``
Lembrou ainda Jerdivan`` Na Rua de Baixo, Godôr era o faz tudo: Barbeiro, aguador (vendia água) tinha uma tropa de jumentos, acho que única herança que deixou para os filhos, além da casa e dos estudos.`` Na realidade Godofredo era também pedreiro, sapateiro, carpinteiro ( pois fazia caixão de "anjo", na época em que não vendiam nas movelarias), "encanava" braço de pessoas e patas de animais com tala de papelão e folha de bananeira ( Ele brincava dizendo que o trabalho dele era melhor do que o do médico, que nem se quer ficava torto), matava animais (marchante), era agricultor, pois tinha uma vazante por trás da Rua de Baixo, e batia tijolos(queimava caieira ), o que garantia o sustento da família, com mais folga. Era uma família feliz, não eram ricos, mas com a sua simplicidade cativava a  todos, do mais rico ao mais pobre!
 ``Comprava de duas, e as vezes até três pernas de animal, para o tempero. Comprava sacas de batata e peixe, que comiámos a semana toda.`` Lembrou Tana, filho de Godôr.
Iam para auxiliar na queima da caieira, os senhores Adamastor e Manoel de Donária, que faziam a maior farra, pois era galinha e todos os tipos de comida possível,e desse modo viravam a noite em alegria! Já o dinheiro do tijolo ele não dava aos filhos, mas quando iam para as festas nos clubes, filhos e amigos, ninguém pagava nada tudo era por sua conta.
Quando era época da política, o ponto do comício era em frente a sua casa escolhido por Dr Avelino Elias de Queiroga(Médico dos pobres). Em sua casa vinham com frequencia Dr. Valdemar, Edmilson Benigno(Negão), Curinha que gostavam de jogar, Felipe, Neri e Bocagem.
O amigo Jerdi comentou :  -``Uma vez ele estava cortando o cabelo de meu irmão João Neto, estilo alemão, o que era muita maldade, pois só oferecia estes dois tipos de corte para os cabelos encaracolados! Ele perguntava a meu pai se era alemão ou pelado, mas na realidade havia pouca diferença. Bom estava no corte do cabelo de João, aí nisso, chegou um camarada dizendo que havia topado por Roxinho, o seu jumento preferido e o mais famoso da cidade (era louco pelo animal), subindo no caminho das Caraíbas, ele deixou o pobre do meu irmão sentado no tamborete com a lata de sardinha na cabeça e a metade do cabelo rapado! Quando foi a tardinha ele retornou com Roxinho depois que amarrou o animal foi que veio  terminar corte do outro lado!
Maria Salete, sua filha lembrou:  -``Papai uma vez saiu dizendo a mamãe que ia comprar uma pareia nova de roupa, passou um tempão no centro, e quando chegou em casa, no lugar da roupa ele chegou foi com duas carradas de pinha, que distribuiu com a vizinhança, foi uma festa só para os meninos da rua! Ele tinha dessas coisas, gostava de partilhar com todo mundo, o que tinha! Sim, eu recordo também, que ele tinha o costume de dizer aos filhos ainda pequenos:  -Vá fazer tal coisa, olhe eu vou cuspir no chão, e é prá estar em casa antes que seque,viu?!.``
Godôr, não era de facil compreensão, era um sujeito teimoso, duvidava até que a homem havia ido a lua. Mais a Pegada de ar foi no dia que Edvaldo Carneiro Filho(Boró), chegou da escola e comentou :  -`` Tio Godôr, eu hoje vi na escola, o professor dizer que a terra girava!`` Aí ele gritou na lata: `` A terra não gira!`` E continuou, quando indagado:  -`` Nedina tá aonde? Não é em Fortaleza-CE? Se a terra girasse, quando fosse de manhã, Nedina passava por aqui e dizia bom dia Godôr, e eu, bom dia Nedina! E a boca da noite dizia, boa noite Godôr, boa noite! Agora seu burro, filho de uma égua, se Nedina quis ir para lá, ela foi de trem não foi com esse negócio de terra gira não, viu! É Por isso que os meus filhos estão tudo cheirando bufa de jumento, ir para escola e escutar uma besteira dessas, num vai não!
Boró lembrou:  -`` Ele tinha uma preguiçosa, que quando ele sentava, parecia um rei, e a gente ficava tudo ao redor dele. Quando foi uma noite chegou uma menina e foi dizendo: - Seu Godôr, mãe mandou dizer, que o senhor fosse lá em casa, porque tem uma porca que botou um bacurinho para fora e não quer botar o resto! Nisso ele se inflou e foi exclamando: -Tão vendo aí seus égua, vocês não sabem de nada! Eu sou pedreiro, enfermeiro, faço parto em jumenta, carpinteiro, e agora vou fazer o parto dessa poica e vou salvar essa pobre dessa poica! Godôr saiu para lá depois de uma meia hora, chega ele e a gente começa a perguntar sobre o parto da porca, ele afirma que tudo estava tranquilo e havia puxado doze bacurinhos. Vinte minutos depois do episódio, chega a menina com um novo recado: -Seu Godôr, mãe mandou dizer que a porca que o senhor fez o parto, morreu! Motivou risos e fazimentos de pouco, pela vantagem contada! O que mais intrigou foi a forma do parto que realizou! Como a porca não conseguia colocar os filhotes para fora de maneira normal, impaciente, ele puxou os doze bacurinhos de dentro da porca enfiando o braço, era vuco, vuco, pegando e tirando!  Não tem criatura mundo que resista a isso não meu irmão!``
 Era um apostador no seu momento de folga, ele gostava de jogar baralho, ludo, jogo do bicho e outros tipos de jogos!
Gostava tanto de jogo do bicho que certa vez sonhou, com o carneiro(ainda é comum os populares apostarem mediante sonhos revelados na noite anterior), e mandou Nedina jogar na banca de João de Doca(avó de Jerdi), quando foi  as 11h00Min, Parrela passou pela casa de Godôr e disse que havia dado Carneiro. Nedina correu na olaria e contou o resultado do bicho para o marido. Ele terminou o serviço e correu para a banca, e já foi dizendo :  -`` Seu João, eu peguei o carneiro, não foi?`` - ``E foi no carneiro?! - Pegou não!`` E continuou :  -`` Você jogou foi na vaca! Com essa resposta Godôr se expritou,    -``Vaca?  Vaca é sua mãe, seu filho de uma égua!``. Bom a realidade, é que seu João nunca levou a sério as coisas de Godôr e tudo se acalmava rapidamente.
Certa feita pediu a dona Nedina (sua esposa), para ir a missa, mas se intreteu na casa de Zé  Arruda(in memória), jogando ludo. Segundo Tana seu filho, o bozó sempre tira as pedras do lugar ao bater no tablado, e acontece que ele se preparava para entra na casa pelo pio. Daí o bozó deu pio, e ele ganha o jogo! Zé muito esperto disse que ele estava pelo dois, e na teima, de pio por dois, Zé Arruda gritou para a mulher que estava lá na cozinha torrando o café, dizendo, -`` ô Maricô, Godôr não tava armado pelo 2 ? Ela respondeu, -`` Tava sim José!`` E bruto Gogôr foi logo gritando, -`` Pelo dois o quê sinha safada?! Você torrando café lá na cozinha lá sabe de nada!`` E foi grande a confusão, que dava para ouvir, os gritos de Godôr lá na sua casa! Eles chegaram até a arrastar facas, depois de muita zoada tudo se resolveu.
Boró citou outro fato de Godôr num jogo de ludo com Adamastor(in memória), ele jogava o bozó que só dava pio, daí quando isso acontecia, ele puxava a pedra para trás, puxou, puxou, quando saiu da entrada Adamastor mata sua pedra! Ele retomou o jogo novamente e o bozo só castigando ele, era pio, pio, e pio! Então ele  foi pro corroló, balançou o copo e disse: -``Filho de uma égua eu quero ver você dá pio de novo! Para sua surpresa o bozó deu pio novamente! Aí Godôr grita para Nedina: - Traga aí esse martelo!`` Rapaz quando ela trouxe, ele pegou o bozó e quebrou ele todinho dizendo: - ``Vai dá pio na égua da sua mãe filho de uma égua!``
Apesar de sua casa ser humilde todos que chegavam lá comiam. Uma vez Nedina preparou a janta e foi chamar o pessoal para comer(era costume preparar os pratos e já deixar colocados sobre as mesas), enquanto estava lá fora, o irmão de Manoel Pedro e Geneton, o pequeno Cirilo correu até a cozinha,e não é que o danadinho comeu todas as misturas(carnes), de todos os pratos postos sobre a mesa, ficando apens a marca do oleo sobre a comida(eles eram pobres e não era comum o luxo de um pedacinho sequer de carne seja qual fosse a qualidade, na sua mesa).
 As pessoas que vinham do banho de rio tinham que passar por lá, era uma casa atraente! Lembrou Lucemir:  -``A gente ia para o banho de rio e tinha de passar pelas terras de Godôr e Tia Nedina, daí eu entrava e tomava  a benção aos dois, pois era um prazer para os mais velhos quando um moço fazia isso(ainda o é nos dias atuais, mas pouca gente faz), na saída, era sagrada a batata que sempre estava no fogo dentro de uma lata, e todos nós  descíamos e só retornávamos no final do dia, eram muito bons os banhos no Rio Piancó!
Quando ficou viúvo e já velho, inventou de visitar o cabaré, e certa feita comprou todos os sapatos das quengas e trouxe para casa!
Boró disse : -``Quando enviuvou ele me pediu para eu arranjar uma mulher pra ele casar. Que eu conhecia muita gente! Então eu pensei, pensei. Quando foi um dia eu disse que havia arranjado uma pretendente. Aí ele perguntou quem era, eu disse que era Pirrita. Ele deu um pinote e gritou: - Vote, quero não! Pirrita já matou quatro (enviuvou de Dácio, de um filho de Antônio Maciel, um farmacêutico e outro popular),  ela vá matar satanás não eu!
Andou meio adoentado de Anemia Perniciosa e se queixou a Joaquim (vizinho e amigo): -``Àcho que não boto longe!`` Seu Joaquim havia passado pelo mesmo problema e ensinou um remédio que tomara e solucionou o problema era o ``ANCLÓ CANTAGALO``, para tomar 10 unidades de uma vez, seqüenciado eram 6 e depois aumentaria para  8 de um grande frasco contendo 120 unidades.Demorou para conseguir, mas deu certo, trouxe de Campina Grande-PB. Com Pouco tempo ficou curado, seu Joaquim partiu e ele permaneceu por muitos anos ainda.
Neuma Paiva revelou que ajeitou o casamento de Godôr com Conceição. ``Toda vez que ela vinha para Pombal perguntava por tio. Quando foi um dia, eu perguntei a ela se ela queria casar com ele e sua resposta foi: -Se ele me quiser eu caso! Como ela era gaga, temia rejeição por parte do pretendente, rejeição que nada! Quando eu falei da paquera, ele tomou um bom banho, si perfumou e esperou Conceição para conversar. Sentia-se solitário então casou novamente com a senhorita Conceição do sítio Riachão em dezembro de 1974, como não tiveram filhos, resolveram adotar uma criança cujo nome é Francisco de Assis, hoje ele reside no Estado do Rio de Janeiro, está casado e vive bem com sua família, graças a Deus!``
            No sítio Riachão não tinha noção das horas, então Conceição batia nas panelas para chamar para o almoço, porque havia começado a construiur uma pequena represa perto da sua casa(para dar água aos bichos e beber, uma vez que ia ver água de jumento com duas latas apenas), e já tinha seus 74 anos, agora enquanto desmatava sozinho para executar seu projeto, deu com a foice no galho de uma jurema e este pendendo espetou-lhe o olho direito. Segundo o Popular Boró da Rua de Baixo, um gaiato ouviu seu comentário sobre o acontecido com o espinho e foi logo sugerindo:  -`` Seu, Gôdo, aí era bom uma papinha de sal, não é?`` Não é que  por seu instinto bruto e sem arrodeios, fez a papinha de sal e segurou por quase, 30 minutos sobre o globo ocular? Boró disse: -`` Sinceramente não sei como ele suportou a dor, mas o resultado foi: Tirado para Campina Grande-PB, para fazer curativos, pois o sal comeu a parte branca do olho dele!``.
 Sua filha Elenita, contou-me que junto com a irmã Salete, tirara ele para a cidade de Sousa-PB, onde o Dr. José Vicente, extraiu o olho dele. Ela comentou: -`` Godor estava ficando louco com a dor, ele pegava faca e foice, era porque a gente não deixava, mas queria a toda custa arrancar o olho, sem anestesia mesmo! Agora depois da cirurgia ele ficou tranqüilo, voltou ao normal, Graças a Deus!``
Como era o único barbeiro da Rua de Baixo, botava os filhos para tirar o cabelo, ele colocava uma cabaça na cabeça, e a tesoura velha cega ia cortando, e quando ele ia cortando arrodeando, Chico sentado em dois tamboretes ia derreando, no que ia derreando ele aprumava uma tapa na cabeça do menino e gritava: - ``Se aprume se não eu arranco seu pé do ouvido filho de uma égua!``
``Teve um tempo que o jogo em Pombal era proibido, nisso Adamastor mais dois músicos que eram da banda vestiram a farda que parecia muito com a da policia . Então eles estavam jogando trancados dentro de casa com 4 lamparinas sobre a mesa, no pé dos jogadores, Joãozinho de Sinhô, aperuando! Nisso Adamastor chegou, bateu na porta e gritou: - É a policia e a casa está cercada! Rapaz, Godôr foi dizendo: -Taí o que foi que eu arrumei! Vocês com esse negócio de jogo aqui em casa! Agora eu vou ser preso! Adamastor disse novamente: -Cala boca velho sem vergonha, , cale essa boca e levante logo! Bota a mesa na cabeça! O dono da casa carrega a mesa e os perús carregam os tamboretes! Joãozinho de Sinhô foi dizendo: -Mais seu Godôr, eu só tava aperuando, num tava jogando! Então o dono da casa falou: - Você é o pior, esse é que deve ir na frente, pois é o tipo do peru mais chato, que eu não quero nem aqui em casa! `` (Boró da Rua de Baixo).
Era muito gozado Godôr ensinado os meninos a ler, pois certa vez chamou Chico e perguntou : - ``Que letra é Esse ô? Pobre de Chico respondeu todo satisfeito falou: -`` É um A! Aí o pai grita: -`` A, o quê filho de uma égua!`` Tome peia!
Foi preso uma vez, no bar de Tico Barro, pois Ramo Ferreira, estava bebendo junto com ele, saiu e botou a conta para que Godôr pagasse, como só estava com o dinheiro da sua bebida 10C$,  o dono do bar o mandou para a cadeia, que foi o seu maior desgosto, pois nunca havia passado por tal situação.
Godofredo Paiva enfrentou uma batalha contra a doença na próstata aos 78 anos, não resistiu muito tempo e logo partiu.
 A godôr, o nosso muito obrigado, por todos os beneficios nas profissões que assumiu, ainda pelos risos despontados nos lábios até de quem não ter conheceu, mas que por ouvir suas histíorias se sente gratificado por teres participado da hiostória desta grande e bela cidade de Pombal-PB. Que o Deus da vida te dê a recompensa  e também te conceda a paz!

         Adaptado do texto de Estela Maris, por Paulo Sérgio

domingo, 31 de julho de 2011

Casal Osmidio Alves de Araújo e Izabel Morais de Araújo


Seu Mída como era conhecido, nasceu no sítio Mimoso território de Paulista-PB, no dia 15 de Julho de 1919, nesta data o domínio daquela região ainda era de Pombal-PB. Desde cedo se concentrou no trabalho do campo, daí se explicava as poucas letras que conseguia escrever, aquele homem trabalhador, assinava apenas o seu nome. Era um homem brando, honesto e muito humilde, capaz de ajudar a qualquer um que dele precisasse. Sua história foi marcada por trabalhos desempenhados com toda a dedicação, e ao lado de sua esposa Izabel fizeram honrar o nome do sertanejo, do homem do campo que traz o pão para o seu lar de sol a sol e também para os nossos lares.
         Dona Izabel, nasceu na mesma comunidade, mais precisamente em 19 de Fevereiro de 1923. Quanto aos seus estudos, concluiu apenas o primário (do primeiro ao quarto ano), deixando tudo para casar-se com Osmídio. Ela era uma jovem dedicada a tudo que fazia, pois o desempenhava com amor. E foi este amor que fez brotar seus quatro filhos: Antônio, Albaniza, Aldeci e Alba Cilene. Como todo casal pode ensinar valores que obviamente foram seguidos por sua prole, e assim como os seus genitores formaram família e tentam passar para eles os ensinamentos e a sabedoria repassada por seus pais.
          Lembro-me de seu Mida passeando com seu gato toda noitinha: um cordão prendia-se a coleira do felino que parecia entender que aquele era o melhor horário para os dois passearem, pois o resto do dia não o perturbava para sair. Eu era um jovem adolescente e toda noite da calçada lá de casa observava aquele senhor de estatura mediana e extremamente carinhoso, pois mantinha olhar fito em seu animalzinho de estimação. Depois de alguns dias decidi fazer amizade com eles, e eu um jovem, pude desfrutar de sua amizade e sua sabedoria e da sua consideração.
         Este casal sem sombra de dúvida contribuiu e muito para a história vitoriosa da nossa Pombal (313 anos), que é composta de várias histórias que se entrelaçam como em um quebra-cabeças, e só depois de um tempo apresentam um belo painel. Entendo, pois, que o casal simples lá do sítio mimoso que em meados da década de trinta formaram seu lar e produziram muito com seus campos para nutrir nossa população a partir da sua entrega e de seu serviço, alimentou o nosso passado e vislumbra com sua simplicidade, pois eles abandonaram a sua terrinha, e se mudaram para Pombal quando a velhice chegou, porém alicerçaram o nosso futuro, muito Obrigado aos dois, que Deus os recompense!