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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Francisco Dantas de Morais (Chico de Ernesto), 23 de junho de 1923 a 27 de outubro de 1980



              O popular Chico de Ernesto, era natural de Pombal-PB nasceu e morou na rua da Cruz, por muitos anos, mas terminou os seus dias na Rua Professor Luís Ferreira Campos(num setor apelidado de Cacete Armado). Seus pais chamavam-se Ernesto José de Souto e dona Rosélia Dantas de Morais(Rosa de Ernesto), e teve por irmãos Cabo Luís, Raimundo Nonato, Cícera, Maria e Lourdes(In memória), além de Maria Aparecida, Aristides(Cachorra Velha, o goleirão), e Damião. Estudou muito pouco (pois nas eras passadas o comum entre os comuns era alfabetizar apenas para escrever o nome, mas o certo mesmo era tirar os documentos para poder votar e depois a lida da roça), as condições financeiras, para se deslocar para fora do estado e estudar eram poucas.
Chico de Ernesto, tinha como profissão oficial pedreiro, mas também foi pintor. Era ele quem sempre pintava a Igreja Matriz de Pombal, era o único a subir nas Tôrres daquele templo religioso. Soube, que o seu pai era especialista só em construção de torres de igreja, com ele,  Chico sempre ajudando. Após abandonar a família, seu pai foi morar em Malta, mas antes de partir desta vida foi abandonado pela outra mulher e tornou a Pombal, onde ficou por casa de Aristides(Hoje, segue o seu feito nas pinturas, Ernesto o seu sobrinho). Chico de Ernesto foi também, após ser nomeado, juiz de menores, e sempre supervisionava os moleques em suas brincadeiras, não os deixando jogar bola na rua, jogar bila, brincar de triângulo, soltar pião nos terreiros ou vias públicas, entre outras brincadeiras que julgasse perigosa para os transeuntes. Por esta função abraçada arduamente, gerou desafetos entre os moleques abastardos e seus ricos pais insatisfeitos, que nunca conseguiam argumentos para convencer que o juiz nomeado em exercício (hoje é uma espécie de conselheiro tutelar), estivesse errado, pois sua razão prevalecia sempre! Provavelmente haveria a discussão e ele seria com certeza o vencedor, daí o linguajar popular nas ruas, nas esquinas ou lares de Pombal: - “Agora pronto! Diga aí razão de Chico de Ernesto!” Este termo é bem comum em nossa região. Não bastasse a nomeação do juizado de menores, Chico também sentou praça por duas vezes (simplesmente, policial militar), quanto as datas e o tempo de duração não obtive informações exatas, mas saía do destacamento e pouco tempo depois era chamado novamente para por ordem no lugar.
Segundo Beto Bandeira, que ouvia a conversa dos adultos de longe (porque as criança jamais interferiam em conversa dos pais, jamais!), era conhecido também, como sendo ele o caçador de lobisomens da cidade, pois era “forte e disposto”! Bem na verdade, o mito trazia por trás, personalidades da sociedade, de moral nada duvidosa, e em função das fraquezas do corpo disfarçavam-se de preto e vagavam na calada da noite para encontros amorosos ou para afanar galinhas nos chiqueiros alheios, daí com todo aquele terror espalhado, o medo era presente nos populares, que não desejavam vagar por suas ruas depois de certas horas!). Pois bem, era o Chico de Ernesto, quem conseguia tal proeza, de aquietar os “assombros” do povo!
Ivo Geraldo disse : -“Eu era pequeno e estava com um grupo de amigos, então eles começaram a gritar para Chico assim: - Tá de boa em Chico de Ernesto! Eita, Chico de Ernesto tá de Boa! Chico não disse nada, pois estavam presentes neste momento Jandhuy, Ruy e Dalva Carneiro que conversavam na esquina da casa de Claudia Fontes(ambos in memória), próximo a Igreja Matriz, e quando eles saíram, Chico então se aproximou e disse para mim: - Primo, saia daqui! Vá embora para casa agora! Chegou junto dos moleques e perguntou: - Quem ta de boa o que? “ E Ivo continuou: - “ Agora eu acho que ele não bateu neles, porque viu que  os meninos eram de família rica, mas do contrário, o pau tinha corrido”.
Francisco Dantas casou-se sob as bênçãos da virgem do Bom Sucesso na presença do saudoso Padre Acácio Cartaxo Rolim, que assistiu aos juramentos com Maria Cristina da Conceição( filha de Venácio Fernandes de Sousa e dona Cristina Lourenço da Conceição), em 16 de setembro de 1944, na igreja matriz. Desta união tiveram apenas um filho, João Bosco(in memória nos anos 50). Em 16 de fevereiro de 1950, Chico enviuvou, casando  após a partida de sua primeira esposa com Rita Pereira da Silva com 22 anos,  no dia 10 de setembro de 1950, sendo assistidos pelo Pe Vicente Freitas. Seus padrinhos foram Ozório Queiroga de Assis e Epitácio Vieira de Queiroga. Com Rita foram 11 filhos: Damião, Dalvinha, Socorrinha, Valmir (Carú do Constituinte), João Bosco (Negro Gato, um dos maiores goleiros pombalense), José (Zé Ventinha), Negro Tina, bem como Geraldo (in memória), Antônio Gilmar, Francisco Junior (in memória), e Maria(in memória).
Chico de Ernesto era muito disciplinador, gostava de manter na linha a esposa, bem como aos seus filhos, que eram bem empestados, como me contou Negro Gato. Foi não foi, a chinela corria! Já a irmã de Chico, Cida, acrescentou: -“Cansei de ver a corda alisando o côro dos negrinhos no meio da rua, ou dentro de casa mesmo, pois eles eram danados por demais! Por muitas vezes eu trancava eles dentro de um quarto de lata e passavam era dias! Olhe eles eram umas pestes, não tinha quem aguentasse não.”
Negro Tina comentou relembrando,  que João Maria, filho de Cabine, chegou para um vendedor de livros de cordel e perguntou : -“ Aqui tem as aventuras de Chico de Ernesto? O cordelista respondeu: -Tem não senhor, mas quando eu vier novamente eu trago!”
Genival Severo mencionou um processo representado pelo Dr. Nelson Nóbrega contra Chico de Ernesto, aos 22 de abril do ano de 1960, por desordem no estabelecimento de Maria Anália(a quenga mais valente desta cidade. E agente pode até imaginar o desfecho da história entre estas duas figuras), e tudo começou quando Chico cheio de aguardente, quebrou as portas da casa de Maria Anália, aí foi o maior quebra pau , e que findou neste processo.
             Elias Queiroga, comentou que certo dia, Chico estava na propriedade de dona Neca, e quando esta ouviu disparos de arma de fogo perguntou para um rapaz de sua confiança, do qual não me recordo o nome agora, e nisso o jovem respondeu que se tratava de Chico de Ernesto, que estava caçando soinho na mata. Dona Neca mandou o jovem chamá-lo, e ele foi. Quando Chico se aproximou do batente da casa, então a mulher disse:-“ Quando for mais tarde você se lembre de passar lá por João Facundo e mandar ele te prender viu?” Ele deu as costas para ela e foi embora!
Um fato marcante deste nosso conterrâneo, e que é do conhecimento dos mais antigos e de seus herdeiros, teve inicio quando Chico de Ernesto foi convocado para prender um popular bastante afamado, por suas capiloçadas. Este popular era Dão de Canoeiro, que por suas cavilações e presepadas na juventude (brechando as mulheres no rio lavando roupa, ou mesmo pequenas coisas), já havia sido preso e transportado para a Capital do Estado, e conseguiu fugir de maneira ardilosa (seu feito foi extraordinário! Populares  na rua dão conta que na fuga, um outro colega ia sair com ele, mas na hora de iniciar o processo de fuga pelas tubulações de esgoto do presídio, pediu para sair na frente, e como era magro pode passar com facilidade, o companheiro  mais obeso topou, mas do outro lado, apenas Dão, conseguiu chegar. Saiu do esgoto nu, e teve de carregar um vestido  estendido em um varal próximo da sua saída, ganhando o mundo. Há um filme recente, chamado “Um sonho de liberdade “, que recorda-me muito este acontecimento há muitos anos passados só que próximo a nós!
Bom, tempos após sua  fuga retornou para Pombal, tornando a praticar seus deslizes (Em conversa com o Escritor pombalense Verneck Abrantes, soube de uma gravação com mais de duas horas de duração, onde Dão relata a sua vida para ele e Fatima Queiroga, na antiga casa de Belino Queiroga. Partes deste relato me foi confirmado por seu neto Tomaz,  dando conta inclusive, que seu avô vivera acompanhado de um grupo de cangaceiros, tendo deste tempo ainda algumas tatuagens gravados em sua pele, gravadas por membros daquele  grupo), para resolver a situação do terror das lavadeiras Chico de Ernesto foi convocado e incumbido de prendê-lo, e soube que já foi dizendo, -“Trago vivo ou morto!”
 Bem, deve ter dito brincando, mas quando se colocaram cara a cara (uma pessoa, que testemunhou o momento do confronto, pois estava passando próximo a linha férrea quando o procurado da justiça, estava descendo para beber água no rio Piancó, logo ali próximo a Casa Forte de Zezinho Caboclo, e soube ainda que nesse tempo o rio secava, não havia a represa), não demorou muito e o confronto foi deveras. Trocaram tiros e como os dois eram habilidosos com as armas, num pequeno vacilo de Dão, Chico de Ernesto o feriu no pé, o deixando aleijado. O Que sucedeu depois poderíamos até imaginar, Dão saiu do hospital e foi preso. No entanto, cadeia nunca segurou este nosso vilão, e mesmo aleijado, três anos depois foi o único, por talvez estar afastado de qualquer suspeita, que conseguiu fugir pelo teto da cadeia Velha de Pombal (feito único até aqueles dias e os atuais, uma vez que ela está desativada, funcionando a atual Casa da Cultura), no centro da cidade. Hoje Dão é um senhor de idade, está regenerado é doente e vive em um dos bairros de nossa cidade, mas não gosta de lembrar o assunto, fala apenas quando sente vontade.
Chico de Ernesto vitima de meningite partiu, mas deixou um legado de brincadeiras e piadas que vivem como citei anteriormente, na boca do povo.
A Chico de Ernesto, o meu muito obrigado, obrigado por todos os serviços prestados a esta população de Pombal - PB. Que o Deus da vida te conceda a tua recompensa e a tua paz.
Texto, Paulo Sérgio

domingo, 22 de julho de 2012

Wilson da Nóbrega Seixas (Historiador), 15 de julho de 1916 a 11 de março de 2002




         Wilson nasceu na Rua do Comércio no seio de nossa cidade. Seus pais eram Newton Pordeus Rodrigues Seixas(autor do Hino de Pombal) e Natália Nóbrega Seixas. Eram seus Irmãos: Newton e José Nely(in memória, quando ainda criança), Hedi Nóbrega, Maria das Graças e Maria de Lourdes. Estudou as primeiras letras em casa com seu pai Newton Pordeus(que na época fora transferido de Sousa para lecionar em Pombal).
Por serem de poucas posses, a família enfrentou batalhas árduas e as dificuldades não foram poucas, pois sabemos do prestigio que tem um professor nos dias atuais, por parte dos governantes, então imaginemos diante dos governos do passado!
Em conversa com Zélia Carneiro em seu apartamento em João Pessoa-PB ela disse que  Wilson  não disponibilizava de muitos recursos, que poucos sabiam a sua verdadeira história de lutas e dificuldades. “Wilson Seixas, passou muita necessidade quando estudou no Recife-PE. Ele contava que a noite, forrava a rede com folhas de jornal, os pés e braços, os cobria com folhas de revistas, pois sofria muito com o frio.” Seus pais eram humildes, muito humildes!  Zélia comentou: -“Ele perdeu os pais vitimados pela tuberculose (devido as necessidades que passaram), em decorrência disso Wilson tinha um trauma de fome. Para se ter uma idéia, ele não gostava de mesa com pouca comida (sempre mesa farta), e ficava prestando atenção se os filhos estavam comendo bem!”

“Me entristeço por saber que não tem nada em homenagem a Wilson! Eu perdi o meu marido, que deu a vida revirando aqueles livros antigos para escrever o Velho Arraial de Piranhas, no centenário de Pombal - PB, e  Pombal em nada o prestigiou” Zélia Carneiro

Sobre a publicação da nova edição do Velho Arraial de Piranhas Zélia Carneiro fez questão de comentar: -“Não recebi um centavo de Rafael e Carneiro Arnaud, como foi colocado na nova edição, e pode dizer que eu comentei isso para você, porque é verdade!” Ironizou!
Zélia Carneiro lembrou: -‘’Eu estava noiva com Wilson quando Dr. José Américo de Almeida (este foi o responsável maior pela composição da Música Maringá, Maringá de nossa cidade, pois ele era amigo particular de Joubert de Carvalho, que queria homenagear a cidade natal de Américo, e este por sua vez pediu que a compusesse em homenagem a Pombal, cidade do seu também amigo Ruy Carneiro, que tinha uma lenda de uma jovem que por lá passara e deixou muita saudade. A lenda vinha, segundo a professora Socorro Martins desde o ano de 1886, e o resultado foi esta belíssima canção que pode-se dizer, é o segundo hino de Pombal), saiu candidato a governador, na época ele era ministro, um dia ele veio a Pombal-PB, a convite dos meus tios, Ruy e Jandhuy Carneiro, e ficou hospedado lá em casa. Pela manhã logo cedo ele acordou, foi banhar o rosto no banheiro, nisso eu então fui perguntar se ele aceitava um cafezinho. Ele  me perguntou: - Dona Zélia, a senhora é noiva? Eu já o cortei: -Ministro por favor não me chame de dona, eu sou uma jovem e não sou dona nem de mim! Chame-me de você! Então ele perguntou: - Vai casar quando? Aí eu expliquei que o noivo era recém-formado, e não tinha emprego ainda. E ele perguntou: - Ele é médico? –Não, é dentista,eu respondi. Aí ele falou assim: - Olhe, eu vou ganhar essa eleição, e te prometo, que o meu primeiro ato como ministro, será nomear seu noivo como dentista do estado! Eu mesma não dei crédito! Só me afastei, pois Wilson era ciumento, e podia cortar ciúmes do ministro, apesar de ser ele um velho, já!’’ Ela continuou: -“Passou o tempo, e quando foi um dia, acredito que no dia que caiu um raio por trás da Rua Nova, lá na Padre Amâncio Leite, e atingiu uma mulher que estava cozinhando batatas, ela ficou toda queimada! Nesse mesmo dia bem a tardinha estávamos sentados Wilson e eu na calçada da casa de papai. Então chegou Ribinha, com um telegrama na mão para mim. Quando Wilson o viu com aquela correspondência, deu de garra rapidamente para saber quem era que estava me escrevendo, então leu. Com um pedacinho aí olhou assim e perguntou: - Zélia, você pediu alguma coisa ao ministro José Américo? Eu que nem me lembrava da promessa feita, pois não confiava em político, uma vez que eu sempre via, como eram os de casa,aí eu disse: - Não! Wilson disse assim: - É porque está dizendo aqui que conforme lhe prometera em campanha esta me nomeando dentista do estado. Aí eu simplesmente esnobei com um singelo: -E foi? –Que bom! Me fazendo de desentendida, não sabe?!’’
Após assumir seu primeiro emprego, Dr. Wilson da Nóbrega Seixas, contraiu casamento com Zélia Carneiro Arnaud Seixas, em 28 de fevereiro de 1952, e tiveram os filhos: Antonio Chateaubriand, José Wilson(in memória), e Lígia Maria, eles viveram 50 anos de muita união.Soube que havia um acordo entre o casal, o filho homem Zélia escolheria o nome, e a mulher seria Wilson. Então quando nasceu o primeiro filho do casal, o pai de Zélia, levou a criança sozinho ao cartório de registros de pessoas naturais, e deu o nome de Antônio Chateaubriand, em sua homenagem, mas o nome ficou muito extenso, quando Wilson soube não comentou nada. No ano seguinte, nasceu o segundo filho, e no outro dia, ele acordou bem cedinho e foi registrar a criança dizendo :- ‘’Quem vai registrar este aqui sou eu! Vai se chamar José Wilson!’’
Em 13 de maio de 1964, saiu com a sua família para morar em João Pessoa, e lá permaneceu até os seus últimos dias de vida.
Ao conversar com dona Mimosa de Zé Gomes sobre Wilson, esta teceu o seu comentário: - ‘’Wilson, não tinha o costume de estar em rodas de amigos, não. Ele era calado, na dele. Não sorria para ninguém, mas era muito alinhado. Me lembro: usava sempre  sapatos brancos, as vezes de gravatinha, muito bem vestido! Ele passava pela gente, e até cumprimentava com um bom dia, ou ,boa tarde, mas nuca passava disso! De vez em quando eu via casal junto desfilando pelo centro da cidade, era muito bonito isso, eles eram bem casados.’’
Dos muitos serviços desempenhados por Wilson Seixas, destaco aqui a Sociedade de Assistência Dentária à Maternidade e à Infância de Pombal(situado no antigo prédio da promotoria, de fronte a praça da alimentação), por fim desta sociedade, o patrimônio foi incorporado ao do Hospital e Maternidade Sinhá Carneiro,além do lançamento do livro O Velho Arraial de Piranhas em 21 de Julho de 1962 por razão do centenário de Pombal.
Admirava o trabalho elaborado pelo historiador Wilson Seixas! Lendo o seu celebre livro O Velho Arraial de Piranhas(que completa 50 anos do seu lançamento no dia de hoje, e por sinal, abriu as portas para o seu brilhante autor no cenário paraibano, tamanha foi a sua repercussão),  este despertou a minha curiosidade por Pombal. O livro que eu li, lembro-me ainda, era velho, as folhas amareladas pelo tempo e por estar guardado numa estante. Ele me foi emprestado pela saudosa amiga, Socorro de Antônio Josias, e eu o folheava com um amigo, ambos espantados e cheios de emoção, afinal era Pombal, tão rica e tão bela culturalmente! Foi neste livro que soube dos cangaceiros da região, do ataque ao mais reforçado presídio da região, a nossa Cadeia velha, dos poetas e os seus versos belíssimos! Era tudo especial, e parecia que eu estava vivendo naquele espaço de tempo, que não me tinha sido permitido até então! Um dia eu tive de devolver o livro, mas passados os anos, ganhei uma edição revisada de minha amiga Zélia, o que me deixou mui feliz.
Acredito que ao relatar detalhes da vida de Wilson, revelados a mim em um dia, e tão resumidamente, tirem dele o mito, e o traduza humano e cheio de desejos por descobrir e tornar conhecido, todos os seus feitos. Sinto o peso da responsabilidade para com os leitores que são importantes para este blog, o nosso propósito não gira em torno da bajulação nem tão pouco da exaltação além dos limites humanos, pois revelo o homem e não o mito. Eu  vejo o pombalense Wilson Seixas da mesma forma, como vi e retratei outros filhos simples deste terra tão rica, pois tudo é traçado em  tom de simplicidade como foi a sua vida, e isto me faz feliz!
Durante toda a sua vida Wilson dedicou-se ao trabalho, destacando-se como:

- Professor no Colégio Diocesano;
- Professor na Escola Arruda Câmara;
- No Departamento Nacional e Obras contra a Secas(DNOcS), na qualidade de dentista;
- No INPs (hoje Instituto Nacional de Seguridade Social, INSS);
- Membro do Instituto Histórico e Geografico da Paraíba(IHGP), desde 18 de março de 1965, após o estouro do seu livro;
E como escritor, se destacou aopublicar as obras:

- O Velho Arraial de Piranhas;
- Os Pordeus do Rio do Peixe;
- Odontologia na Paraíba;
- Viagem através da Província da Paraíba;
- Santa Casa da Misericórdia da Paraíba.

Foi Wilson peça fundamental na preservação da nossa Cadeia Velha, quando surgiram desejos por sua demolição na década de 60(acredito que a primeira intervenção do Patrimônio Histórico estadual), ele também foi sócio da academia de letras da Paraíba em Campina Grande, membro da Associação de Odontologia de Campina Grande, e membro conselheiro da Fundação Laureano, entre outros feitos de suma importância para a história da Paraíba, que lhe renderam a comenda do Mérito Cultural ‘’José Maria dos Santos’’.
A Wilson Seixas, o nosso muito obrigado! Sua paixão pela Terra de Maringá, o levou inconscientemente a tornar-se o maior historiador que esta cidade já viu! Poderá ainda haver com muito esforço, num futuro próximo, alguém com tamanha paixão por sua terra natal e humildade! Que o Deus da vida, que é inovação, revelação e Amor, o abençoe, perdoe fraquezas, e conceda-te a paz.


Adaptado da autobiografia de Wilson Nóbrega Seixas, por Paulo Sérgio.
            

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Alvaro Benigno de Sousa (Mestre Álvaro), 29 de dezembro de 1908 a 10 de abril de 1994


Álvaro era natural de Pombal, filho de Filemon Estevão de Sousa e Ana Benigna de Sousa, irmão de Lelé, Maria das Dores e Benigna(Lourdes). Estudou o primário pelas casas das mulheres, que alfabetizavam os moleques naquele tempo, e sua caligrafia era muito bonita, relatou Sônia sua sobrinha.
Mestre Álvaro ,recebeu este prefácio, por ser ele alfaiate, e provavelmente ter iniciado com o amigo Adamastor Gouveia, bem como a Lélé, seu irmão, além de Dedé da Rua do Cacete Armando, entre outros(todos in memória). Além da alfaiataria, era agricultor e dono de canoas, que na data serviam a população, pois atravessavam as pessoas no período das cheias do rio Piancó, sob o comando de Chaguinha. Sua Localização exata era mais próxima ao corredor do rio, na Rua de Baixo. Acontece que neste período, ainda não existia a velha ponte, mas mesmo que houvesse seus serviços seriam inúteis, uma vez que as cheias, sempre ultrapassaram a marca do velho Grande Hotel, e o postinho central.
Tunillo Moto taxi, comentou que na sua infância sempre corria para as margens do Rio para ver os canoeiros, atravessarem de uma margem a outra, os comerciantes (feirantes), aos sábados, e no fim da feira, que era a tardinha.
Mestre Álvaro, nunca quis casar para não deixar sua mãe, mas tornou-se pai, dos filhos dos seus irmãos (o pai de Felizarda, casou duas vezes, bem como Lelé), e  ele ajudou a cuidar dos sobrinhos, e cuidou de sua mãe até seu ultimo dia sobre esta terra. Ouvi relatos que tivera uma namorada na rua de baixo, mas nunca quis casar.
Álvaro, era homem honesto, respeitador, e respeitado por todos! Sónia de Bubil e dona Vanda disseram: -‘’Um dia ele foi falar com o papagaio de Nedina de Godor, pois não podia ver bicho, que ele ficava brincando. Quando foi um dia ele recitou assim: - Melhoral, melhoral, melhora e não faz mal! Têca de Dr. Lourival, que não era gente, ensinou ao bicho, um monte de palavrões dias depois deste fato, pois sabia que deixaria Álvaro sem graça! E na outra oportunidade, que teve de recitar a frase: - Melhoral, melhoral, melhora e não faz mal! O papagaio completou: - E o ***?! Ele então ficou todo encabulado, que nunca mais puxou brincadeira com o bruto! Como ele era muito serio, não gostava de brincadeiras, e não as tirava com ninguém!’’
Dona Felizarda (Vanda), lembrou de um fato interessante: -‘’Tia Lourdes era famosa por seu arroz doce, e minha prima Vanda, chegou na casa dela e pediu um pouco do arroz que acabara de fazer, nisso minha tia disse que não, pois aquele arroz era para Inácio. Bom, insatisfeita com a negativa, a danadinha pegou um prato escondido, colocou o arroz nesse prato, e foi correndo para tio Álvaro e disse assim: - Olha aqui, que tia Lourdes mandou para o senhor! Ele comeu tudo, e ficou muito satisfeito! Mais tarde quando tia entra lá em casa Álvaro olha e comenta: -Oh, Louuurdes, muito obrigado pelo arroz, estava uma maravilha! Tia Lourdes gritou: - Aquela sem vergonha carregou o arroz de Inácio e trouxe para cá!‘’
No dia primeiro do mês de janeiro de 1994 ele adoeceu, era vitima de uma ulcera, e estava sentido dores, mas não havia revelado, então tomou um suco de acerola, como de costume, este provocou uma hemorragia, pois sua ulcera estrangulou, e ele partiu meses depois no hospital de Pombal! Como retribuição, Sônia cuidou dele até o fim. Ele havia cuidado dela desde os dez meses, e ajudado seus irmãos e primos, conforme comentado anteriormente.
Ao mestre Álvaro o nosso muito obrigado, sua contribuição para o processo de desenvolvimento desta bela cidade, em muito nos foi útil. Sua doação a família e aos seus, além dos trabalhos que desenvolveu proporcionando uma nova perspectiva de vida aos nossos conterrâneos, nos auxiliaram. Que Deus o Senhor da vida, te dê a recompensa e te conceda a paz!




Texto Paulo Sérgio

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Dalva Carneiro Arnaud, 12 de novembro de 1914 a 20 de dezembro de 1990


 Dalva Carneiro nasceu em Pombal-PB no seio do casal João Vieira Carneiro (Joca Carneiro), e dona Maria Carvalho Carneiro (dona Sinhá), tinha por irmãos Jaime Carneiro, Mirthiz, Janduhy, Ruy estes dois ultimos, foram grandes forças políticas nesta nossa pequena terra natal, graças ao apoio incondicional do padre Valeriano Pereira de Souza, tio segundo dos jovens e pároco da grande paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso; Chegando o primeiro, além de administrar como prefeito a cidade de Pombal, nomeado em 1930, por José Américo, promoveu grandes construções em tempos de seca, e em 1946, eleito pela vontade do povo foi eleito deputado federal, extrapolando as perspectivas esperadas nas urnas; já o segundo, foi interventor federal do estado da Parahyba em 1940, e posteriormente em 1952, eleito senador da republica do Brasil, posto de grande destaque para um cidadão, principalmente saído de uma pequena cidade. Ambos honraram os votos trabalhando por todo o estado, e por Pombal (Só não houve força, nem tão pouco influencia política para instalar em Pombal – PB, o campus do curso de Direito, da Universidade Federal da Paraíba-UFPB, hoje UFCG-  que foi destinada para Sousa), mas foram dedicados a nossa terra, e a igreja local.
Dalva Carneiro, estudou suas primeiras letras com Cândida Correia (Madrinha Candinha, para os íntimos), ela lecionava em sua própria casa, alem de dar aulas de corte e costura, pois possuía várias máquinas, e ainda letrava e ensinava as moças a arte do bordado entres outras coisas.
Quando atingiu a fase adulta, Dalva conheceu Chateaubriand de Souza Arnaud (era odontólogo e sobrinho legítimo do padre vigário), ao que consta um grande galanteador, um romântico a moda antiga, e não perdeu sua fama. Então casaram-se na igreja matriz de nossa cidade no dia 11 de dezembro de 1929 (data gravada na aliança do nubente, dada de presente ao filho Rafael Carneiro). Dalva Carneiro passou a lidar na sua casa como doméstica, além de auxiliar o marido no seu consultório localizado em casa mesmo, na Rua Nova, vizinho a Dinalda de Zé Arruda. Desta bonita união nasceram os filhos: João Bosco em 1930 (in memória), Zélia Carneiro em 17 de setembro de 1931, Antônio em 1932 (in memória), Antônio Carneiro em 07 de dezembro de 1933, Rafael Carneiro em 25 de abril de 1937 e Gilca 25 de maio de 1938(esposa do Dr. Azuil), e a caçula, Gizeuda em 13 de março de 1940 (esposa do Dr. Dirceu).
Dalva possuía um coração nobre, elogiada por todos que recordam o passado de dificuldades da velha terrinha. Sua bondade rendeu a ela a alcunha de ‘’ MÃE DA POBREZA’’, pois fazia um bom uso das verbas que recebia do governo, e de suas próprias economias, distribuindo aos mais necessitados, sem distinção. Ela não sabia dizer não aos pobres que batiam em sua porta, e de fato fez o bem e praticou a caridade. Zélia Carneiro (viúva do nosso maior pesquisador e célebre escritor Wilson Seixas) disse: - ‘’Um dia, eu deixei um vestido meu de cambraia bordada no meu guarda-roupa, na casa de papai, pois eu já estava casada, e saí para fazer a feira. Quando voltei procurei o meu vestido, revirando tudo, e não encontrei nada! Eu então perguntei a mamãe: - Ô mamãe, a senhora viu o meu? É um de cambraia bordada, não é novo, mas eu trouxe para vestir aqui? Ela simplesmente respondeu: - Nem vi! Nisso, quando eu vou para a sala, vejo uma mulher com o meu vestido, esperando mamãe para ter com ela! Aí eu chamei mamãe e disse: - Ô mamãe, aquele é meu vestido! Ele disse assim: - Ah! E era aquele vestido que você estava procurando?! Eu dei! Eu dei para ela pobrezinha, chegou aqui toda rasgada, estava mais precisada que você! Eu fui no seu guarda-roupa, vi esse, aí eu tirei e dei!’’ Zélia completou: -‘’Olhe ela era assim! Então eu passei a trancar meu quarto, porque se não iria me deixar sem roupa.’’
Para Dalva Carneiro, podia chegar quem chegasse, e a hora que chegasse, pedindo, ela batia dentro de casa, e o que pegasse dava. Gostava de ajudar aos pobres; Café da manhã, almoço e jantar. Também quando ouvia falar que tinha alguém para dar a luz, ela mandava o enxoval e garantia a alimentação da mãe e do bebê.  Zélia comentou que chegou a mandar vender boi gordo na fazenda para fazer de um tudo pelo povo pobre, pois segundo ela: tinha muita pena de os ver sofrer! Às vezes chegava uma pessoa e dizia que não tinha nada em casa, para botar no fogo, e tanto ela quanto as crianças, não haviam comido nada ainda(eram tempos de lamentações, a fome era de fato implacável), em face esta declaração Zélia revelou: -‘’ Aí minha mãe dava um trocadinho, para comprar um leite, um quilo de arroz, tirando do dinheiro que papai dava para a feira do mês. E ainda tem este detalhe, papai, chegava e entregava o dinheiro do mês para fazer as compras, ela dava todo, e quando era o dia de fazer a feira, eu ia pedir, ela procurava não tinha, mais, então dizia:  - Vá ali em Ildo Arnaud, e peça tanto emprestado para comprar a feira!’’
Ingressou Dalva na política candidatando-se  para prefeita, esta atitude foi mais para auxiliar o Dr. Avelino Elias, pois fazia parte da mesma legenda, e como existia mais de um candidato na mesma legenda, eram somados os votos dos outros mais fracos com o mais votado, os votos do vice, e do prefeito, eram contados separadamente. Dalva (A mãe da pobreza), não ganhou nas urnas, mas sempre foi uma liderança no Campo político, liderança feminina, é bom frisar.
Um fato cômico lembrado por Zélia Carneiro foi descrito nos seguintes termos: -‘’Um dia chegou um homem no consultório de papai, e pediu um particular com mamãe. Como mamãe trabalhava com papai e não tinha segredos, apresentou-me e papai, autorizando a revelar o teor da conversa, mas este se recusou, só queria em particular! Então foram para o quarto ao lado e ficaram cerca de quinze minutos conversando. Ao sair, o homem grita bem alto: - Posso confiar? A senhora me dá mesmo dona Dalva? E mamãe disse: - Dou! Já disse que dava, eu dou! Venha aqui na segunda-feira, que eu dou! Ele então vai embora. Ao sair o homem papai olhou para Rafael (este estava presente e disse não lembrar mais de tal episódio), ele vinha entrando na sala e ao perguntar se estava tudo bem, papai exclamou: - Bem, não está não meu filho! Você, não viu o homem sair agora daqui de dentro perguntando a sua mãe se ela dava, e ela disse que dava na minha frente?  Olhe você cuide de ir depressa até o juiz para retirar a candidatura de sua mãe logo, que eu não tenho vocação para côrno não! Esta declaração motivou risos na sala.’’
 Minha avó Zefinha de Zé Grota, lembra com muita gratidão de Dalva Carneiro,  pois nunca negou ajuda quando passou por dificuldades, alem disso eram comadres, e sempre que via minha avó pedia que concedesse a guarda da minha mãe ( que era sua afilhada), por muito pouco não criou minha mãe, pois como relatei, as dificuldades para o pobre eram extremas num passado não muito distante.
A Dalva Carneiro, que na boca do povo foi a ‘’Mãe da Pobreza’’, o muito obrigado de todos desta nova geração, pois foram auxiliadas indiretamente, graças a esta grande ajuda do passado! Obrigado pelo gesto de partilha e caridade praticada para com os mais carentes, que pelo menos uma vez, e indistintamente, tiveram direito ao pão, ou ao leite de cada dia. Que o Deus da vida, Justo Juiz, te conceda a tua recompensa e também a paz.
 Texto, Paulo Sérgio

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Raimundo Nonato de Paiva( Nonato), 20 de fevereiro de 1920 a 11 de agosto de 2001

           Nonato foi um pombalense ilustre, que perambulou por estas ruas de nossa cidade, era filho de Custódio Santana e Elvira de Paiva, que era moça velha quando teve esse romance (ele, que era irmão de Zezinho Sapateiro, e deste caso nasceu Nonato, mas o seu pai nunca reconheceu sua paternidade,(como era muito mulherengo e farrador, partiu aos 38 anos vitima de infarto). Anos depois Elvira casou e teve outra filha chamada Severina Tereza de Paiva (Pretinha), sua irmã por parte de mãe.
Nonato com apenas 1 ano de vida, estava dormindo na sala de sua casa, quando uma pessoa entrou tocando um chocalho bem alto, assustando-o, e provocando um ligeiro trauma ao som deste instrumento ou de sino pequeno. Mas o garoto Nonato crescia, e dava traços de muita vitalidade e curiosidade, pois gostava de traquinar nas coisas do povo. Agora gostava em especial, quando na casa de sua madrinha Joana na Rua do Comercio ( a mãe de Lucemir Paiva Santana, casada com ChicoPreto), ganhava para o beco da Cadeia Velha para vê seu Biró fabricar pulseiras de prata ( nessa época trabalhava com um velho fole soprando o fogo, para aquecer ainda mais as peças e dar os acabamentos, e aquilo fascinava o menino). Um belo dia sua mãe por medo de que ele pudesse se machucar, pediu ao dono da casa orientado-o: - `` No dia que Nonato chegar por aqui, o senhor não precisa brigar com ele, é só tocar um sino pequeno, ou um chocalho, perto do ouvido dele  e na certa ele se retira!`` Quando o garoto dependurou-se na janela do forjador, este tocou um sininho no seu ouvido, o susto foi tamanho, que caiu, bateu a cabeça no chão, e desmaiou! Desse dia em diante ele adquiriu uma fobia ao som dos velhos bronzes da matriz, a  trovão, sem falar que perdeu seu senso normal, perturbou-se. Sua mãe o levou para o posto médico, mas nada reverteu o quadro, depois que despertou ele cresceu, no entanto sua mente atrofiou, de modo que até uma criança de três anos o botava para correr.
Seu Valdemar motorista aposentado do Hospital Distrital de Pombal(HDP, hoje HRP, pois agora é regional), comentou: - `` Papai tinha um café na Rua da Rodagem, depois do Grande Hotel cerca de uns três prédios. E todos os dias Nonato, vinha para o café, e esperava mamãe retirar as rapas de queijo, que reservava para ele comer com café preto e um pouco de farinha, aí depois ele fazia uma bola assim com a mão e comia tudo! Eu me criei com um bocado deste povo todo! Agora ele era muito dócil, um dia um menininho topou com Nonato que vinha com duas latas de água  do rio(não havia água encanada nesse período), e o menino fez que ia pegar, com medo, ele desabou na carreira  prá casa e não sei nem quanto de água restou nas latas, foi muito engraçado, nesse dia!``
Poucas pessoas lembram, mas Nonato confeccionava grelha para fogão de brasa e trabalhava muito bem, depois de feitas a grelhas sua mãe e sua avó(eram elas quem compravam os ferros),  enchiam os baldes e Euvira descia com Nonato, vendendo na rua para as pessoas, e aquele dinheiro ajudava no orçamento de casa.
Dona Lucemir lembrou de um episódio que o correra há muitos anos: -`` Uma vez correu um boato que Lampião e o seu bando iam passar por Pombal, então o povo da Rua do Comércio Juntou suas roupas, ouro e prata, enrolando em panos de estopa ou em cobertas, prepararam as comidas, e fugiram para um lugar Chamado de Buraco de Sinhá(este lugar era uma casa de farinha, teve alterado o nome, depois de alguns anos), aqui na cidade ficaram algumas pessoas, para dar o sinal, na hora que eles estivessem entrando na cidade, que seria tocar o sino, ou um berrante. Sei que fugiram: a minha avó que também é de Nonato, a mãe, e ele. Também foram outras pessoas e Zé Damascena, que é o irmão de Toinho da bodega; chegando lá cavaram um buraco bem fundo que era para uma parte deles se esconder, depois cobriram com garranchos, e Zé Damascena se socou nesse buraco também.  Por ironia do destino passou por aqui, um grupo de tropeiros tocando uma grande boiada, e ao adentrar na cidade sopraram seu berrante, repetidas vezes! Ao ouvir o suposto sinal, todo mundo entrou em pânico! Nonato era doido por comida, então começou a gritar: - Eu quero minha carne assada com farinha! Minha avó o repreendia: - Cale a boca! Ou os bandidos os achariam. Aí Nonato se desesperou pela carne assada pulou dentro do buraco caiu em cima de Zé Damascena! No susto,era Zé gritando: Aí, aí quebraram meus pinhaço! E Nonato dizendo: - Eu quero minha carne assada com farinha!
Enquanto isso no soton da igreja de Nossa Senhora do Rosário, Zé Leopoldo estava com uma turma de cabras bem armados esperando os cangaceiros entrarem na cidade, daí Saturnino desligou o Motor da Luz, para facilitar a ação policial.``
Nonato gostava de cantar vários benditos (era como chamavam os hinos religiosos), e músicas populares, que variavam o seu repertório, ele sabia de cor, e segundo comentários tinha voz grave e bonita! A música do Primo Lulu de autor desconhecido, foi interpretada para esta matéria por Neuma Paiva, sua prima


`` Mamãe o primo Lulu, é um cabra atrevido
Que pegou pelo braço ô mamãe
Cochichou no meu ouvido!
Deu-me abraço e deu boquinha
Oh, mamãe!
E o resto eu não te digo

Mamãe, Rita viu uma alma
Esta noite no portão
É coisa que me aquisila
Oh, mamãe!
Moça quando vê visão
Pega ver, e pega ver
Oh, mamãe!
Até chora o pagão: cuê, Cuê!``


Gostava de cantar a Musica Carinhoso(composição de Pixinguinha e João de barro de 1917, um choro), mas na hora do refrão ele sempre trocava a palavra carinhoso por curioso.  Outra belíssima canção que sempre interpretava deitado na sala de madrinha Joana, como ele chamava, batendo os pés na parede a se balançar, era Esmeralda de autoria de Carlos José:

 
``Vestida de noiva, com véu e grinalda
Lá vai esmeralda, casar na igreja
Deus queira que os anjos não cantem pra ela
E lá na capela seu vigário não esteja
Deus queira que a noite, na hora da festa
Não venha orquestra, não venha ninguém
Pra ver Esmeralda, com véu e grinalda
Nos braços de outro que não é seu bem
Quem devia casar com ela, era eu, sim senhor
Quem devia casar com ela, era eu, seu amor``

Neneta sua sobrinha lembrou uma parte da Moda do Calango, que ele costumava cantar em casa, e era mais ou menos assim:

`` Calango matou um bode
Botouo cebo na telha
Lagartixa foi bulir,
Calango meteu-lhe a peia
Larga moda lagartixa
De bulir nas coisa ailheia!
Eu vi outra lagartixa
Sentada numa cadeira
Com uma criança no braço
Tocando seu violão...``

Havia ainda o Bendito da Chuva que cantava para todos que pediam: 

``Meu Jesus aos vossos pés
A miséria nos conduz
Pelas vossas cinco chagas
Daí-nos chuva meu Jesus!

Pelos cravos que cravaram
vossos pés e mãos na cruz
Pelo sangue derramado
Daí-me chuva meu Jesus!

Soube por Maria Dalva,que o Pe. Sólon (in memória), pediu para Nonato cantasse para ele ouvir, mas como temia o toque dos sinos da matriz, só cantou quando ouviu a promessa que não seriam tocados naquele momento. No entanto o fato mais cômico, que aconteceu foi quando dona Preta (in memória, mãe da professora Marizete), o chamou para acompanhar a procissão até o cruzeiro de junto da Cagepa, pois estava cumprindo uma promessa pelas chuvas que estavam caindo. Então prometera a Nonato, em troca do bendito no trajeto, um prato de qualhada com cuscuz, e como não gostava de promessas apenas, e era louco por qualhada e cuscuz, pediu logo sua paga. Neuma Paiva disse:  -`` Ele começou a cantar o Bendito da Chuva daí a pouco  dizia: -`` Dona Preta me dê minha qualhada!`` Ela dizia que ia entregar, mas que continuasse cantando para não demorarem a atingir o objetivo principal naquele momento. Fez isso umas três vezes, até que ela mandou trazer a qualhada! Agora foi pior, quando a qualhada chegou, ele agarrado com a bacia, aí cantava: `` Meu Jesus aos vossos pés, a miséria nos conduz...``, daí parava de caminhar e obviamente de cantar, para em seguida tomar duas colheradas de qualhada, engolia e continuava, ...`` pelas vossas cinco chagas, daí-nos chuva meu Jesus!`` Fez isso algumas vezes, até que  a senhora, tomou a bacia de qualhada. Quando ela fez isso, ele não cantou mais nada! Se quiseram ir foi sem bendito!
Nonato era um meninão, presepeiro. Ele costumava juntar as baratas numa sacola e depois ia queimar no muro de casa e dobrava a risada ao vê-las estralar no fogo, e dizia: -`` Morra danada, para nunca mais você perturbar minha mãe e eu!`` Andava pela rua e juntava notas de cigarro, quando chegava em casa fazia uma bola que dia a dia crescia,era seu divertimento, mas gostava muito de ouvir o barulho do mar numa concha que o tio trouxe de Natal-RN, para ele. Segundo Neuma, ele passava o dia todo sentado escutando aquele barulhinho na sala. Ele contou ainda que Nonato, jogava as pratas no cacimbão de sua casa, só para ouvir o barulho na água, e as notas ele queimava no muro. Era perdido dar dinheiro para Nonato ele queimava e depois perguntava: -`` Fiz bem ou fiz mal?``.
Dona Alice mãe de Toinho da bodega, certa vez pediu para Nonato ir entregar o almoço do seu marido do outro lado do rio, mas recomendou, que tivesse cuidado e não comesse  o pirão, ele então saiu e atravessou o rio, mas como não resistia a comida, depois que atravessou, parou debaixo de uma oiticica, sentou-se e comeu todo o pirão, depois pegou o agridar de barro lavou-o, arreou as calças e  banhou a bunda dentro do agridar! Após a travessura, ele regressa para a casa de Alice, deixando o homem sem comida no roçado. Quando foi indagado devido a demora na entrega, ele contou a dona Alice tudo que aprontara e, sempre seguido da pergunta: -``Fiz bem ou fiz mal?
Quiu de Tomazinho lembrou que uma vez Nonato deu corda no relógio do velho Zé Leopoldo (É o pai de Jurandy, casado com a filha de Avelino Queiroga, e foi delegado muitos anos aqui por Pombal-PB, apadrinhado por Janduhy Carneiro, pois era administrador na fazenda Camaragibe de sua propriedade em Cajazeirinhas-PB, hoje pertence a Cristovão Amaro), e foi reclamado pelo proprietário do relógio. Então correu para a casa de Tomazinho e perguntou a dona Juvina sua esposa: -`` Eu dei corda no relógio de Zé Leopoldo, fiz bem ou fiz mal?`` Ela disse que não era certo, e ele saiu.
Sua paixão por relógio era imensa, pois ela passava todos os dias para olhar o relógio da casa de dona Celina( esposa de Joquinha Queiroga, in memoria), e dizia para ela: -`` Dona Celina, quando esse relógio desmantelar a senhora me dá ele?``
Gostava de relógio com pendulo, desses de parede. Dizia para Neneta, a sobrinha que morava com ele, sempre que ela ia viajar: -`` Traga um relógio da bola branca para mim!`` Segundo a sobrinha ele mesmo pregou o relógio na parede de frente a sua cama.
Chegou Nonato na casa de Ninir, mãe de Tico Show, radialista, que  na época  era moçota, então correu para o muro brincar perto do cacimbão, daí a pouco ele volta e fala para a tia: -`` Joguei a calunga de Ninir dentro do cacimbão, amarrada pelo pescoço ela fez, tibungo, tibungo! Fiz bem ou fiz mal?!``
Nonato, tinha muita vontade de se confessar com o Frei Damião, então por ato de suas missões por Pombal-PB, ele entrou na fila e começou a dizer suas cavilações, então O padre  chamou sua mãe e pediu: -`` Quero que a senhora tenha muito cuidado nele, pois o juízo dele é igual ao de uma criança e será sempre assim!``
Assis da farmácia do povo lembrou que bastava dar um pigarro perto de Nonato que ele urinava no meio da rua. Este fato foi mencionado também por Neuma Paiva, e custou, segundo ela, algumas horas na cadeia velha. Neuma disse: -`` Nonato foi preso porque estava urinando na rua, umas mulheres denunciaram a policia, que o prendeu, mas também o torturou, eram alguns policiais perversos nesse tempo. Para se ter idéia, deram tanto nos dedos de Nonato, que todos as suas unhas ficaram minando sangue e caíram! Maroquinha minha cunhada foi fazer uma visita na cadeia, e viu Nonato lá, então correu e chamou seu Zuza Nicácio(dono da perfumaria e criador a Associação Comercial de Pombal), como ele gostava muito do jovem ordenou sua imediata soltura, e os macacos da policia(termo utilizado pelos cangaceiros na data), obedeceram seu Zuza, sendo ele foi levado para o hospital para fazer os curativos, permaneceu na casa de dona Joana e só foi para casa  de sua mãe depois que as unhas sararam.
Zé de Paiva  disse que sua mãe teve Febre Paratífica, e  que derrubou todo o cabelo. Do outro lado da Rua do Comércio a filha de João Regina, também estava com a mesma doença, então chamaram Dr. Janduhy Carneiro, que examinou as duas e disse a dona Joana: -`` Olhe, sua filha não vai escapar dona Joana, a de João Regina sim vai ficar boa!`` Zé de Paiva disse: -`` Minha avó, fez uns cuzimentos com a alfazema brava, deu para minha mãe, no outro dia ela colocou para fora um bocado de impurezas, e ficou curada, graças a Deus!  A filha de João Regina partiu,  Nonata viu o caixão e ele então disse: `` ô Ninir a filha de João Regina ta dentro do caixão!`` Minha mãe caiu desmaiada! Então minha avó perguntou por que ele havia dito? E ele então disse: `` Ela tinha de saber! `` Depois do fato ele saiu, mas pelo outro lado, pois morria de medo de caixão!
A Nonato o meu muito obrigado, por todos os beneficios, pois em tudo contrubuiu para o engrandecimento da história desta nossa Pombal-Pb. Suas atitudes ingênuas proporcionaram momentos de alegria ao nosso povo e aos que te compreendiam. Que o Deus da vida te dê a recompensa, mostre a sua luz e  te conceda a paz!
                                                                                 Texto Paulo Sérgio

sábado, 26 de novembro de 2011

Zeilto Trajano de Sousa (Radialista), 16 de abril de 1944 a 25 de agosto de 1982

 
                                        ``O Homem dos sete instrumentos.``

            Zeilto Trajano nasceu em Pombal, e era filho do casal Otacílio de Sousa e Mª Nery Trajano (Nely, in memória), tendo como irmãos, Maria do Socorro, Zelita, Francisca Zita, Maria do Carmo e Otacílio Trajano (este milita no rádio nos dias atuais). Começou suas atividades em microfone desde os tempos áureos de Serviço de Alto Falantes, iniciando na Difusora Rádio Maringá de propriedade do Sr. Raimundo Lacerda (Conhecido por Raimundo Sacristão) no começo dos anos sessenta em Pombal.
Exerceu na sua labuta o típico garoto propaganda, quando dos memoráveis queimas de tecidos das Lojas Paulista, fazia o seu périplo em um carro de som pelas ruas da nossa cidade e aos sábados animava as feiras na porta da loja, conclamando os transeuntes a comprarem mais barato. Em um desses queimas de tecidos a locução de Zeilto provocou uma fila enorme de pessoas para as compras. Ele dizia assim: “Quem quer vem, quem não quer manda, não mande ninguém em seu lugar, venha você mesmo comprar!”
Em 1962 numa determinada ocasião, Clemildo Brunet de Sá (filho de seu Napoleão Brunet de Sá, proprietário da Mercearia e Padaria Vitória nesta cidade) teve a oportunidade de se aproximar de Zeilto (no tempo da Difusora de Raimundo Sacristão), chance  única e imperdível! Naquele dia Clemildo deu os primeiros passos na radiofonia pombalense, fazendo a vez do chamado, nos nossos dias, operadores de som ou sonoplasta.
Zeilto fez Programa de Calouros dentro do próprio Studio da Difusora de Raimundo Sacristão, onde havia grande ajuntamento de pessoas. Agora era de praxe no crepúsculo da tarde quando os raios de sol começavam a declinar, Zeilto pedir ao seu aprendiz sonoplasta, Clemildo Brunet para tocar sua música predileta: “Tu Précio” de Bienvenido Granda, e depois ia para a esquina, entre as ruas Cel. Francisco de Assis e João Pessoa, acendia o cigarro, curtia a melodia que saía do Projetor de som do Mercado Público, que grave e forte enchia os ouvidos de quem passava naquele espaço:

                           ``Tu précio
                           Pude haberlo pagado
                          Sin tener que entragar-te
                           El corazon
                       Tus ânsias
                        Pude haber saboreado
                       No sabia que eras
                      Romance de ocasion
                      Malvada
                      Mi alma has destroçado
                      El amor que te di
                    Por otro lo has cambiado
                   Tu précio
                  Pude haberlo pagado
                 Es   demasiado tarde
                  Mui caro lo has cobrado`

Aos 22 de abril de 1963, na presença do Cônego Francisco Ferreira de Andrade ( na igreja Matriz), e perante as testemunhas Janduhy e Josafá Gouveia Muniz, contraiu núpcias com Francisca de Lima Sousa(filha do casal Osmídio Calixto e Maria das Dores de Lima, nascendo dessa união quatro filhas, suas grandes paixões. Eram elas elegantes garotas por nome: Nadja Rejane, Alba, Kátia e Márcia.
Em 1966, veio o Serviço de Alto Falantes “A Voz da Cidade” de propriedade do jovem rapaz Clemildo Brunet de Sá, cuja emissora tinha acoplado em seu sistema radiofônico um transmissor de fabricação caseira em ondas curtas, na freqüência de três mil setecentos e vinte e dois kilociclos. E Zeilto veio fazer parte, comandando alguns programas musicais, destaque para “Almoço a Brasileira”, Jornalístico: “O Positivo e o Negativo” além do “Comentário do Dia”, e apresentava também o noticiário da Emissora. 
No ano de 1967, Zeilto foi para a cidade de Cajazeiras-PB, para trabalhar na Rádio Alto Piranhas, aonde pouco tempo depois veio a exercer as funções de Diretor daquela emissora por sua competência. Foi em Cajazeiras que Zeilto veio a projetar-se no rádio sertanejo, e conquistou audiência na região com os programas criados por ele: “Discoteca Dinamite” de cunho jornalístico, o mais polêmico da época; o DDD e DDI, que apresentava crônicas em parceria com o médico Júlio Maria Bandeira, chegando a causar “frisson” na Polícia Federal, que especulava o significado dessas letras. 
“Nosso Encontro com Nelson” aos domingos, até hoje permanece na grade de programação da Rádio Alto Piranhas. Este programa ao completar 15 anos, Zeilto teve a proeza de trazer Nelson Gonçalves a Cajazeiras, para um show no sábado a noite, e no domingo, o Cantor esteve no Programa para uma entrevista ao vivo com o  criador de “Nosso encontro com Nelson”.
Nos eventos que se registravam em Pombal, Zeilto trazia a Rádio Alto Piranhas. Diz Clemildo: “Ainda me lembro, como fui honrado por ele em uma transmissão da Rádio Alto Piranhas direto do Cine Lux na cobertura da Convenção Municipal do MDB. Na ocasião eu era o locutor do Partido e ele, depois de fazer a conexão com a emissora, virou-se pra mim e me entregando o microfone disse: Se vire, e foi embora do local. De outra feita numa visita que eu fiz a Rádio Alto Piranhas, Zeilto me deu uma Carteira funcional nomeando-me repórter correspondente da emissora em Pombal”. 
A Festa do Rosário tornou-se ainda mais conhecida na região. Todos os anos, Zeilto a acompanhava transmitindo através da Rádio Alto Piranhas a parte religiosa da Festa. Outro evento que a Alto Piranhas se fez presente por seu intermédio, foi a Grande Festa realizada no Pombal Ideal Clube, intitulada: “A Paraíba em uma Noite”.
Zeilto ainda fez cobertura para a Rádio Alto Piranhas por ocasião da Inauguração da BR 427 (Rodovia Federal), que liga a nossa cidade a Paulista, São Bento, sítio Empoeiras e com o estado do Rio Grande do Norte, quando da vinda a Pombal do Ministro dos Transportes de Então, Mário Andreazza. 

Zeilto era por demais conhecido pela sua habilidade nas artes, era músico e como tal, fundou sua própria Orquestra em Cajazeiras, chamada “CHAVERON”; e pela versatilidade que possuía formou mais duas orquestras: a Chavereque e a Oritimbó, isto no decorrer de três anos, animando os Carnavais e matinês dos Clubes de Cajazeiras. Por sinal tocou vários Carnavais na região e uma vez animou um Carnaval no Pombal Ideal Clube. Chegou a compor uma música de Carnaval com o título: “Maroaje”.
Amou tanto a terra de Padre Rolim, que criou dois Slogans para enaltecer Cajazeiras: Costumava dizer nos microfones da Rádio Alto Piranhas: “Minha Linda Cajazeiras” e em uma vinheta da emissora: “Rádio Alto Piranhas a única emissora em Cajazeiras que o Nordeste conhece”. Após dezoito anos na Rádio Alto Piranhas, foi levar a sua voz para João Pessoa, capital do estado, assumindo a direção comercial da Rádio Arapuã e despertava os pessoenses com o seu Programa: “Café da Manhã”.
Um dia, no cumprimento de sua missão, Zeilto trilhou a sua última caminhada no rádio, compareceu ao aeroporto – Castro Pinto em João Pessoa-PB, para fazer a cobertura jornalística da visita do Presidente da República de então, General João Batista de Figueiredo( do Regime Militar), que veio a Paraíba cumprir agenda de compromissos do Governo Federal para com o nosso Estado. Com brilhantismo fez o seu ultimo trabalho e ao finalizá-lo, de repente, se sentiu cansado, debruçou-se sobre a direção de seu carro e disse: “Está escurecendo”, foram suas últimas palavras. Ficou em coma, acometido de um aneurisma cerebral e após alguns dias, nos deixou, no centro de terapia intensiva(CTI), da casa de saúde São Vicente de Paula em João Pessoa. Seu sepultamento foi realizado no Cemitério Nossa Senhora do Carmo em Pombal com grande acompanhamento, principalmente de seus colegas de Profissão, tanto da Capital, quanto do interior. A Rádio Maringá, da qual Zeilto trajano, participou na inauguração fazendo a cobertura do evento,  transmitiu para uma rede de emissoras do Estado da Paraíba, a missa de corpo presente na Matriz do Bom Sucesso e acompanhou as homenagens no ``campo santo``, ocasião em que o Radialista e Jornalista Nonato Guedes seu discípulo, falou em nome dos colegas.
Zeilto cumpriu bem a sua missão sendo querido de todos os políticos que foram entrevistados por ele. Emudeceu sua voz que arrebatava ouvintes e empolgava multidões, ele era polêmico, vibrante, versátil, ativo e participante, em outras palavras, um polivalente e grande expoente da Comunicação sertaneja!
A Zeilto Trajano, o homem dos sete instrumentos, o nosso muito obrigado. Obrigado por aproveitar todos os seus dons recebidos e todas as oportunidades surgidas. De igual maneira concedestes aos que foram a sua procura e os presenteastes, permitindo que tivessem uma oportunidade de fazer comunicação. Que Deus o Nosso Senhor, te conceda a recompensa e também a tua paz.


                                                                                       Adaptação do texto de Clemildo Brunet de Sá, por Paulo Sérgio