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sábado, 26 de janeiro de 2013

Felinto de Souza Filho( Seu Moreira), 26 de julho de 1901 a 10 de dezembro de 1996


  

                Na cidade de Pombal, precisamente no sítio Navios, hoje município de São Domingos de Pombal-PB, cuja propriedade na atualidade é de Dr.Valdemir Josias, nasceu Felinto, vulgo Moreira, tudo isso pelo simples fato do seu padrinho de batismo ter por sobrenome Moreira( me foi revelado por Dr. Assis), e assim sendo o terceiro filho do casal Felinto Martins de Sousa e dona Santina do Santíssimo Sacramento, recebeu tal alcunha (era muito forte a presença do padrinho na vida das crianças naquela época). Moreira tinha por irmãos: João Felinto, Antônio Felinto Joaquim Felinto, Fortunata de Jesus, Severino Felinto, Maria Felinto e Manoel Felinto.
O amigo Moreira, estudou até o 4º ano primário, o normal para muitos naquela época, mas apesar de seu pouco estudo foi comerciante em nossa Pombal desde muito jovem. Fazia suas compras em Recife-PE, sempre a cavalo, ia para Campina Grande, de onde pegavam um trem com destino a  capital  Pernambucana. Foi através de Moreira, que Geny Alencar descobriu que o termo “Pandeiros” (nome ou alcunha popular para uma família tradicional de nossa cidade), surgiu destas viagens para comprar mercadorias, pois no seu retorno fazendo as feiras nas outras cidades que de fato cruzavam ao regressar para Pombal, no lombo do seu animal, os irmãos Felinto entravam nas cidades tocado e animando as feiras para atrair a sua freguesia, empunhando um instrumento de percussão, “o Pandeiro”; daí sempre que eles iam chegando fazendo aquela animação, o povo já gritava : - Lá vem os pandeiros, vamos ver! Pois é pegou mesmo! Uma outra característica estava na curvatura do dedo mínimo das mãos nos membros desta família, uma vez que todo “Pandeiro”, possui a terceira falange do dedo mínimo, bem curvada, disse Mariinha Santana.
Para melhor ilustrar, Antônio Felinto de Souza  irmão de Moreira nasceu no ano de 1897, e quando adulto casou-se com dona Deolinda(dona Dulú na intimidade), em 1924, esta era a mãe de Raimilson Felinto. Após o casamento foi morar na antiga Antenor Navarro, ou São João do Rio do Peixe – PB. No ano de 1931, Moreira mandou chamar o irmão para vir tocar também seus negócios aqui em nossa cidade, o que de imediato foi atendido. Em conversa com a filha de Antônio, Geny Alencar e posteriormente Marlucy e Marlene, suas irmãs, soube que Moreira era extremamente carinhoso com os irmãos e a prova de tudo isto, era o costume de abrir a loja, retirar seu paletó e o chapéu, e em seguida   passava a patente para um funcionário de maneira que pudesse fazer companhia ao irmão, duas lojas a pós a sua na rua Juarez Távora, 15. Sua loja de tecidos, sombrinhas, perfumaria e modas, localizada na mesma rua sob o número 19, foi um espaço de harmonia e respeito mútuo. Nesta loja homens como Gelmerez Santana de Sousa(in memória), que é irmão de Mariinha Santana, José Gomes Sobrinho e muitos outros, tiveram a oportunidade de trabalhar e prosperar aprendendo com seu mentor, Moreira. Agora faço conhecedor que Antônio casou uma segunda vez com a senhora  Francisca Linhares, mãe das meninas). Já Manoel Felinto (este quando criança brincando no engenho de propriedade de Sr Felinto(que viveu de 1866 até 06 de maio de 1948, conforme registro de óbito fornecido pelo amigo e escritor Washington Onias), teve parte da mão decepada, levando esta lembrança durante a sua vida, mas obvio, que não o impediu de superar os seus obstáculos construindo o seu patrimônio na vizinha cidade de Aparecida-PB.
Seu Moreira casou-se ao que tudo indica no segundo semestre do ano de 1924, pois o dia especifico no livro B-18, pag.49v, nº 107, do cartório de registro de pessoas Naturais do nosso amigo Marcos Tavares Formiga de Pombal-PB, apenas revela, que ele aos 23 anos com a jovem, Auta Sant’ana de Sousa com  22 anos (ela era filha do casal João e dona Maria Santana), esta lhe deu Maria do Socorro Moreira de Souza, que achou por bem homenagear por ocasião do nascimento da menina em 13 de janeiro de 1927, ao apelido do seu esposo ( Socorro anos mais tarde casou-se com Elry Medeiros, que foi um dos prefeitos de Pombal-PB, e em cuja administração instalou a eletricidade na nossa modesta cidade. Soube ainda que todos os filhos de Socorro herdaram o Moreira, que em nada tinha a ver com o nome real da família do Pai). Dona Auta Sant’Ana, no dia 06 de agosto de 1932, com 29 anos vitimada por um resguardo mal curado, partiu. Moreira então casou-se meses depois com sua cunhada e irmã caçula Anália Sant’Ana em 19 de janeiro de 1933 (data esta fornecida por sua sobrinha Mariinha, que hoje reside na cidade de Patos-PB). 
Em conversa com Mariinha, em sua residência, foi-me revelado que sua mãe sempre lembrava que Anália só casou nesta data porque ela havia nascido com saúde e não corria nenhum risco de morte, no dia anterior. Com Anália, Moreira educou os filhos: Herotides, João Santana e Assis Santana. Herotides era professora e lecionava varias disciplinas, dentre elas o francês no antigo Colégio Diocesano de Pombal, e relatos dos populares nas ruas lembram não só de sua beleza, mas também um compromisso firmado com o Cônego Gualberto, in memória, que na data auxiliava o Mons Oriel  na Paróquia de Nossa Senhora do Bom Sucesso. Mas como ele optou por permanecer em sua vida religiosa,foi transferido para a cidade de Cajazeiras-PB, e ela nunca casou. Zé Cleôncio filho de Afonso Mouta lembrou que em uma de suas aulas de Frances, a professora, que tinha fama de brava, chamou Antonio Queiroga(o magro gaiato da turma), e o mandou traduzir a seguinte frase: “Le Lion kirua Desanimo”, ele prontamente executou sua tradução dizendo: -“ Professora, O leão quis voar, desanimou!”, nisso ela o expulsou da classe imediatamente!  Assis Santana (formou-se em medicina e é médico ainda na ativa na cidade de Campina Grande), quanto a João Santana(in memória),  seu nome segundo Mariinha Santana, já estava escolhido, se chamaria Heronides, mas por nascer em dia de são João Batista, primo de Jesus, sua mãe muito religiosa que era, quis homenagear o santo profeta. O detalhe é que muitos começaram a chamá-lo de Heronides, e só deixaram quando foi necessário ao rapaz começar a trabalhar.
Dona Dorinha, uma sobrinha criada por Moreira e Anália, comentou: -“Moreira era um homem muito reto nos seus negócios, tinha palavra única e irrevogável, apontando sempre os melhores negócios aos membros de sua família, e por força disto era sempre ouvido pelos seus, e era querido pelos netos”.
Beca Bandeira, lembrou: -“O velho Moreira tinha um cachorrinho de estimação por nome Bacé, ele ficava no jardim e costumava estrumar o seu cachorro nos meninos. O bichinho só era pequeno, porém muito valente!” Um dia Beca subia pela calçada com seu irmão,na Rua Nova quando seu Moreira soltou Bacé e o irmão de Beca pegou a camisa e deu uma lapada no cachorro, nisso Moreira gritou com voz arrastada: -“ Não faça isso com Bacezinho não!
No mês de maio de 1960, vendeu a loja para José Gomes Sobrinho esposo de Mimosa (carinhosamente conhecida). E foi entre os anos de 1967 e 1968, que  Moreira mudou-se  com sua família, isso após Herotides comprar uma casa na Rua João Machado, na cidade de João Pessoa-PB, quando foi transferida para lecionar na capital do estado.*
                                                               * Carta de recomendação para Gelmerez, escrita pelo próprio Moreira.
José Gomes Sobrinho relembrou contente: - “Moreira me disse assim: -No fim do ano eu tenho uma proposta para você, topa ou não? Eu saltei e disse: -Topo! É prá Você me comprar a loja toda! Não poderia deixar outro tomar chegada para saber o que era. Além do mais, negócio com Moreira é sempre bom”! Agora depois eu comecei a pensar, nisso eu procurei ele, aí eu fui dizendo: - Dá certo não, eu compro a loja só se for agora, porque no fim do ano o senhor terá vendido tudo de melhor e vai ficar só o resto para mim. Dá certo assim? Nisso ele respondeu: -  Vá lá em casa na sexta-feira!” Nós morávamos por trás da casa de Moreira, que era na rua nova de fronte ao busto de Getúlio Vargas. Quando eu cheguei ele já estava no jardim, mandou eu entrar e me colocou na cabeça da mesa muito farta por sinal, me sentei! Começamos a comer aí eu disse: -“ Dá certo assim?” Indagou Moreira: - Dá certo como? Aí eu complementei minha proposta dizendo: - Dá certo seu Moreira desta maneira, eu compro a loja toda agora na confiança, pois eu não tenho dinheiro todo para o senhor. Dou o que tenho e assumo as parcelas, caso eu atrase, alguma, pago 2% de juro! Nisso ele disse: -Então está certo, quando for domingo você traga os seus funcionários e junto com os meus aí damos o balanço no estoque todo! Bom, nós começamos no domingo e terminamos na quinta-feira. Neste dia eu estava indo para casa, me chega Afonso Josias e comentou:-“ O povo está dizendo que Moreira te lascou! –Foi?! Agora é tarde! Por que não veio mais cedo?  Rapaz eu cheguei em casa triste, botei a chorar, a mulher fez um chá para mim, eu tomei, bateu um medo, mas apesar de tudo consegui dormi. Na sexta-feira muito cedo eu vim para a loja, que era na esquina, coloquei uma pessoa para avisar sobre a mudança da loja e a outra ainda pipada de tecido, eu comecei a trabalhar e foi ligeiro para cumprir com meus compromissos, paguei tudo, graças a Deus!. Por trás deste prédio era armazém de seu Nô Lopes( in memória, rescente), tempos depois eu comprei para aumentar o meu primeiro prédio. Pra quem  começou com uma banca rodeada de mercadoria na feira cheguei a custa de muito trabalho, e graças a Deus e ao apoio de Moreira, meu patrão!
O sogro de Moreira o senhor João, tinha por costume matar uma criação por semana, não tinha para vender, era para o consumo próprio, pois segundo Zé Gomes ele engordava os animais e ao chegar em média 30  ou 40Kg fazia o trato para a família consumir. Pois bem após o abate ele espichava o couro a capricho, que nada mais é que salgar toda a pele do animal e estender esta couraça sobre as pontas das varas que mantinham o couro estiradinho, seco e fino  aponto de facilitar o enrolar da matéria-prima para diversos serviços como: sandálias, assento de tamboretes, cadeiras Luiz XV etc. Isto também fez parte dos negocias de seu Zé Gomes!
Moreira partiu após um ataque cardíaco no seu leito, na cidade de João Pessoa-PB. Foi encontrado caído junto da cama pela esposa e companheira de toda uma vida.
Ao amigo Moreira o nosso muito obrigado, deixaste uma marca impressa na história deste solo pombalense, contribuindo para o progresso deste povo a partir de seus exemplos de honestidade e amizade, respeito e tradição familiar passado para os seus. Que o Deus da vida o conceda a recompensa e também a sua paz.
Texto Paulo Sérgio, <www.contandosaudade.com.br>

quarta-feira, 14 de março de 2012

Pedro Raimundo da Silva (Pedro Corisco), 22 de março de 1894 a 08 de agosto de 1973


 Pedro Corisco era natural de Pombal - PB, do Sítio Casa Forte, filho de Raimundo José do Rêgo e Ana Joaquina da Silva. Não estudou muito, apenas o suficiente para escrever o nome, ainda jovem no ano de 1912 foi morar em Gravatá – PE, quando anos depois voltou para Pombal com seus familiares, mas mantinha contato com os amigos que lá deixou e até fundaram o bloco mataborão em 2 de fevereiro de 1926.
Casou a primeira vez aos 08 de outubro de 1925 com Maria Julia da Silva, natural de Pombal( filha do casal Felinto Alexandre de Souza e Júlia Roque de Souza), e tiveram os filhos:  Rennê (Viveu 6 anos, in memoria desde 04 de abril de 1931), Rennê novamente (in memória viveu 14 anos), Elza e Francisco Raimundo(estes in memória. O ultimo citado era marinheiro), além de Laurides da Silva Roque, que nasceu em 1940, atualmente vive no Rio de Janeiro.
Em 19 de junho de 1943, Pedro ficou viúvo (certidão de óbito concedida pelo cartório de registros de pessoas naturais, Guiomar Tavares  Formiga), e casou com uma mulher 26 anos mais nova do que ele. Sua segunda esposa era dona Maria de Sousa Silva (Lilia), nascida aos 08 de dezembro de 1920 até  29 de março de 2006, ela era natural de Pau dos Ferros, filha de João Vicente e Honorina Alves de Sousa. Casou-se em 23 de Julho de 1944, e desta união nasceram Edelsa (in memória), Ernezaque, Esdras, Maria das Graças, Cordélia, Afrânio e Maria Conceição(Bili). Trabalhou quando criança na agricultura, auxiliando aos pais, e em idade adulta, trabalhou na casa de uma tia como doméstica, o que contribuiu para aprender, as atividades domésticas e continuar fazendo depois de casada até quando ainda tinha forças para isso. Seus filhos disseram: ``Lembramos do seu esforço para nos ver na escola aprendendo, para que não ficássemos sem educação escolar. Ela também tinha o Costume, apesar de ir pouco a igreja de sempre rezar novenas em companhia dos filhos. Nós todos, nos ajoelhávamos, e de joelhos postos no chão rezávamos a novena de Nossa Senhora das Graças( E foi sobre as intercessões de Maria, e sua fé em Deus,que ela alcançou a libertação e a cura de um filho). E tempos depois passou a rezar o rosário, que fez até seus últimos dias).``
Pedro foi o primeiro proprietário de caminhão a entrar na cidade, causando admiração nas pessoas que viam o grande carro de cabina de madeira passar, e que tinha escrito: ``TUDO PELO BRAZIL!``. O caminhão era de sua propriedade, mas no período da guerra (período este que pediu dispensa na junta militar para não servir, tendo vista estar casado e domiciliado em Pombal, conforme documento estudado), tinha um chofer e existia ainda o ajudante de chofer, que faziam fretes para os diversos estados deste país.
Trabalhou muitos anos como chofer, mas achou por bem deixar de fazer fretes e passou a fabricar caixões na movelaria, que acabara de montar próximo da sua casa. Além de fabricar caixões(eram aqueles fabricados com tábua e lona preta), Pedro e os filhos Afrânio e Esdras, fabricavam: Malas; petisqueiras; guarda-louça com porta de vidro; e Ancoretas. Seu Pedro viajava com freqüência de trem para a Recife Antiga a fim de comprar outros tipos de malas, espingarda de soquete, moringa (quartinhas de barro, para nós nordestinos), sem esquecer as peças para o concerto das desnatadeiras, pois todos os leiteiros da região, o procuravam para suprir suas necessidades nas queijeiras. Afrânio lembrou: -`` Pai gostava de falar sobre a Recife Antiga, pois conhecia tudo lá, por estar sempre comprando novidades! Ele sempre comprava peças de reposição como: borracha, bobina, carretel, quando desgastava as das maquinas, e assim pai vendia as peças e seu Tomazinho, consertava as maquinas com Quiu seu filho.``
Seu Bibi lembrou: -‘’Pedro gostava de andar sem camisa no meio da rua, uma buchão, quando um dia vinha ele descendo na Rua Argemiro de Sousa, comendo um pão , aí eu por cachorrada perguntei, por que ele estava comendo pão no meio da rua, ele disse: - E eu devo alugar um quarto agora quando quiser comer pão, é? A gente fazia isso só para ouvir as respostas.
Afrânio comentou que até 1962, não existia televisão e haviam poucos rádios na cidade, mas frisou: -‘’Eu lembro que a gente juntava dez, quinze pessoas e ficava ouvindo o jogo da Seleção Brasileira. Quando foi na copa de 1966, pai comprou um rádio grande lá prá casa, aí todo mundo animado para escutar o jogo do Brasil, ele ganhou na abertura, mas quando foi no segundo jogo foi desclassificado, acredito que contra Portugal, quando terminou o jogo, pai com raiva foi devolver o rádio lá em seu Zurza Nicácio, como eles eram compadres recebeu de volta! Pai chegou lá e disse:- Tome seu rádio Zurza que não prestou para ganhar jogo não! Veja bem, antigamente, as pessoas tinham muita paixão pelo futebol, a gente ouvia falar que tinha gente que pulava de cima dos prédios, porque o Brasil havia perdido a copa!’’
Seu Zuca da Movelaria (tem grades serviços prestados a Pombal-PB), disse: -‘’ Pedro tinha muita presença, ele era um gozador, e ás vezes era até meio chato algumas piadas que soltava. Olhe bem, uma vez veio um rapaz  comprar um caixão e na hora de ajustar o valor, o  jovem pediu um menos, pois as condições eram poucas, aí ele disse, que com aquele preço só podia ajudar se fosse chorando! Tu acredita?``
Quiu de Tomazinho disse: -‘’Pedro Corisco tinha resposta para tudo, ele vendia malas, e me parece que custava C$10.000,00(Dez Cruzeiros), então o homem perguntou se ele abria crediário, ele disse: - Sim, fica por C$ 12.000,00(Doze cruzeiros)! Aí o homem perguntou: - E como fica seu Pedro? Ele continuou: - Você me dá C$ 10.000,00 e o resto eu deixo para trinta dias! Ora, meu amigo, aí o camarada já estava pagando a mala toda!’’
Zé Nogueira (que é um dos melhores no conserto de relógio, e há mais de 40 anos presta serviço em nossa cidade), comentou que uma vez Pedro foi procurado por um homem lá na sua movelaria, ele queria comprar um caixão, daí pediu um desconto, e de repente Pedro Corisco olhou para o homem e saiu com a seguinte piada: -‘’Compre dois que eu faço a diferença!’’ Pois já sabia a indagação: -‘’Mais como dois?’’ Aí ele completava: -‘’Ah! Só posso dar desconto se levar dois!’’ Nessa deixa, Afrânio comentou que certa fez ele teve de dar desconto mesmo, pois ao soltar a piada, para um camarada lá das bandas de Paulista, aí o homem disse: -‘’Eu quero dois mesmo,  então faça o menos!’’ Ele havia perdido seu pai e sua mãe no mesmo dia (era comum morrendo um dos cônjuges o outro partir logo, claro, quando era casal antigo, hoje mudou um pouco as relações), e como estava apressado para resolver o funeral, logo saiu.
Outro momento que foi lembrado por Paulo Ney: -‘’Um dia morreu uma pessoa, e Venceslau veio comprar um caixão, pediu para fazer um menos, ele respondeu o de sempre. Na volta do enterro o homem virou o carro, lá numa curva que tinha muita areia, ali no  areal, e morreram duas pessoas, quando daí a pouco o homem entra no armazém e pede caixão, então pede o menos novamente a seu Pedro, e nisso escuta: - Eu não já disse que leve dois que eu faço menos(ele não sabia ainda do acidente), Venceslau responde: - Me dê os dois! Você acredita que ele vendeu quase de graça os caixões, mais havia dado a palavra, vendeu!’’
Soube que Corisco, estava no armazém e chegou um freguês, pediu para ver as espingardas, e após analisar o artefato, perguntou se era boa e atirava para cima. Foi nessa hora que ele respondeu: - ‘’Atirar para cima por quê? Eu não tenho inimigo Aviador!’’ Outro fato bem cômico aconteceu quando uma senhora o procurou no seu estabelecimento, para trocar o fundo da lata de querosene, coisa que geralmente acontecia, e tudo isso ele consertava. Bili sua filha relatou: - ‘’Quando papai, disse o preço a mulher parece que achou caro e pediu um menos, ele disse que menos não poderia fazer, pois o preço era aquele mesmo. Aí a mulher perguntou para papai: - Se eu der o fundo?!  Meu pai disse em seguida com malícia: - Dou de graça e ainda boto duas latas!’’ Ela continuou dizendo assim: -‘’Já outro dia, papai estava arrumando a prateleira no armazém chegou um homem procurando por fumo, meu pai mostrou o fumo de rola que estava sobre o balcão, e dá as costas, para continuar arrumando. Ao se virar o homem cheirou o fumo e soltou um vento daqueles bem carregados! Papai sentiu o odor e não comentou nada, o homem se retirou dizendo que vinha depois, e alguns minutos a frente, ele regressa e pergunta bem sério: - Seu Pedro, não tem um fumo mais forte aí não? Ah! Pai foi logo dizendo: - Tem não! O de cagar acabou-se nesse instante!’’
Quando viajava para os lados da Bahia-BA, ele entrou numa barbearia, sentou-se, aí o barbeiro perguntou: -‘’Tira tudo seu Pedro?’’ Ele respondeu: -‘’Deixe só as sobrancelhas!’’
Pedro Corisco, quando morou no Pernambuco participou de banda de músicos, deixou a banda, mas adquiriu o hábito de assobiar, pois tinha fama de grande assobiador. Quando foi um dia Açoite (era um doido que tinha fama de bom assobiador, por aqui), estava assobiando próximo as Casas Paulista, quando Pedro o escutou, e disse que ele estava assobiando errado, então começou a assobiar a música corretamente para as pessoas que estavam naquela rua.
Paulo Ney disse: -‘’Quando era no período do carnaval lá na sede, de madrugada quando a gente vinha saindo da festa, lá estava Pedro Corisco com uma lanterna de bateria, que o filho dele marinheiro, havia mandado do Rio de Janeiro. Era um farol purinho, clareava como daqui deste patamar lá na coluna da hora, sem medo, deixava todo mundo cego!’’
Ele gostava de ouvir Nilo (era um pombalense que cantava divinamente bem, mas era cachaceiro, filho de um compadre seu), quando o Nilo passava na lateral de sua casa a tardinha, ele pedia que se sentasse e cantasse um pouco, ele se sentava na velha cadeira(e ainda existe na sua casa), e prontamente atendia ao pedido.
A Pedro Corisco, o nosso muito obrigado! Suas anedotas e seus serviços, modificaram um pouco a fisionomia da nossa Pombal-PB, em tempos de outrora. Nossa cidade teve muitas alegrias, por causa desses tesouros humanos, descobertas e inovações do nosso povo hospitaleiro. Que Deus, o Senhor da vida, te conceda a recompensa e também a sua paz.
Texto, Paulo Sérgio

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Joaquim Cavalcante Formiga, 13 de setembro de 1926 a 18 de setembro de 2005

        Joaquim era natural de Pombal-PB, nascido e criado no Sítio Grossos, próximo a Comunidade de Várzea Cumprida dos Leites. Filho do casal Euclides Joaquim  Formiga e de dona Sancha Cavalcante Formiga, que tiveram 18 filhos , escapando apenas 12, todos criados pela saudosa Petronila Delfina(Petú). Nessa época de 1926, Pombal caminhava sob nova administração executiva, seu prefeito era Odilon José de Assis e o subprefeito, Francisco de Sá Cavalcanti (Livro, A Grande Pombal, pág.75).
Como as aulas eram particulares, estudou Joaquim, e seus irmãos nas casas dos arredores, cursando o que chamavam antigamente ensino primário.
Seu Joaquim trabalhou na agricultura sua infância e parte da sua juventude, na propriedade de seu pai, e em 1950 veio morar na rua (como si dizia antigamente), aonde montou a bodega para trabalhar morando por 03 anos no Bairro dos Pereiros, mas também continuou com suas atividades de agropecuarista, visitando com freqüência a propriedade.
Em 06 de Janeiro de 1951 casou com a jovem Maria Almeida Formiga e desta união nasceram os filhos, Maria de Lourdes, Socorro Formiga, Maria de Fátima(in memória), Joaquim Filho(Formiguinha, grande comerciante nos dias atuais), José Almeida, Marcos Formiga, Alberto Formiga e Almir, além de 14 netos e 04 bisnetos.
Já em 1953, compra o novo prédio para a sua bodega, localizada a Rua Argemiro de Sousa, 29 (quanto a Argemiro, foi o filho bastardo de uma negra pombalense, que na sua época estudou, e si formou em Ciências Jurídicas e Sócias na Faculdade do Recife em 1889, transformando-se em um dos maiores redatores, filho de Pombal, que trabalhou na capital do Estado, no Jornal Estado da Paraíba de propriedade do Partido Conservador. Seus ideais de Republicanos foram expressos com maior proporção apoiado por figuras como Castro Pinto e Epitácio Pessoa, Artur Aquiles e João Pessoa, relato do pesquisador Wilson Seixas no seu livro O Velho Arraial de Piranhas, pág.342), onde está localizada até os dias atuais sob a administração do seu filho Alberto. Alberto me revelou ser o seu pai Joaquim, muito bricalhão. Sempre nas conversas dos seus, saia ele com uma piada, arrancando alguns sorrisos dos filhos ou amigos que se faziam presentes, mas no máximo era calado. Agora Almir um de seus filhos, me revelou nestes termos, -`` As vezes agente assistindo a televisão, e papai sentado, na hora que aparecia uma jovem bem bonita,  bem charmosa aí ele dizia bem alto, essa morena me deve uma conta!``
Brincadeiras a parte, a realidade é que seu Joaquim passou para os seus, os valores até hoje seguidos a risca! Valores como a responsabilidade, honestidade e respeito aos outros.
Ao amigo Joaquim Cavalcante Formiga, o meu muito obrigado pelos 55 anos de serviços prestados a esta bela cidade na qualidade de Bodegueiro ao lado dos seus outros companheiros comerciantes, cada qual com sua especialidade e seu ramo, além de fiel e apaixonado agropecuarista, favorecendo ao progresso da nossa Pombal na figura do homem do campo (que alimenta até os dias atuais o país). Que Deus te conceda a sua recompensa e te dê a paz!
                                                                   Texto, Paulo Sérgio

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Raimundo Ferreira de Queiroga, 03 de Junho de 1896 a 03 de fevereiro de 1978



Raimundo Queiroga era filho natural de Sousa-PB, nasceu no Sítio Aba da Serra naquele município, e depois de um tempo veio morar em Pombal. Seus pais era casal Vicente Queiroga e Luiza, eles deram ao filho a oportunidade de estudar com aulas particulares, mas na época não demonstrou muito interesse, aprendendo apenas a escrever o seu nome e ler alguma coisa, e foi aperfeiçoando sua leitura ao longo da vida, pois seu forte mesmo naquele momento era o trabalho.
            Era um homem de vistosa presença e prosa agradável, como um légitimo nordestino gostava de desfrutar da companhia de belas damas, a quem muito cortejou.
            Aos 18 de junho de 1918, se apaixonou e logo contraiu matrimônio com a jovem Sancha Queiroga de Alencar (nascida em 12 de junho de 1900),  e juntos tiveram 8 filhos: Possidônio Queiroga, Auzeni (Mãe de Zé Willames), José Queiroga (Zé Queiroga), João Queiroga, Sebastião (vulgo Natal pai de Dr. Ademir), Antônio (que nasceu em 1930, e é o pai de Dr. André), Luizinha Queiroga e Francisco(na intimidade Nêgo Sargas, pois não havia quem o segurasse estando ele com uma bola nos pés).
            Raimundo trabalhou toda sua vida na agricultura e no comercio de algodão e oiticica (grandes fontes de lucros nesta época, pois da oiticica era extraído o óleo para a fabricação de tinta automotiva. Me contou seu Eufrásio, um antigo funcionário da Brasil Oiticica, que a duração média de secagem dessa tinta era de até três dias, o carro era pintado e guardado dentro de um galpão até que secasse! E também do algodão era extraído o óleo e produzido  tecido).
Possuía um forte desejo em seu coração, e por isso ele dizia: - `` Meus filhos já estão estudando em escola paga, vou doar terrenos para que o pobre tenha aonde estudar``! Com isso proporciou aos filhos dos pequenos agricultores da região a oportunidade de estudo.  Muitos não sabem e outros tantos podem até saber e já esqueceram, que foi o senhor Raimundo Queiroga quem doou os terrenos do Antigo colégio Diocesano (construído pelo Pe. Vicente Freitas), O Colégio Josué Bezerra( construído por Josué Bezerra, que angariou comissões junto aos amigos), o terreno para novo prédio da Escola João da Mata( que foi vendido no governo de Francisco Pereira Vieira para o governo do estado da Paraíba, e hoje Hospital Regional de Pombal, HRP). Foi doação sua também o terreno para a formação do Campo Florestal, era um uma espécie de jardim botânico, nesta data zelado por Otavio Sinfrônio, que aos domingos abria ao publico, mas tudo foi devastado numa enchente, restando até hoje alguns pés de ciriguela. No seu espaço o Dr. Azuil construiu a lavanderia publica e no restante ergueu o parque de vaquejada, mas na hora de pedir para Raimundo assinar concordando com a construção do citado parque, ouviu a sua recusa, pois ele repetiu varias vezes que não havia doado para este fim e sim para o campo florestal, gerando muito descontentamento por parte de alguns.
            Luizinha sua filha revelou que o pai tinha por habito se sentar em uma velha cadeira de balanço na porta do Grande Hotel e aos poucos os amigos iam se aproximando para palestrar ou dizer anedotas que era o seu forte! Depois da prosa terminada na rua era hora do almoço e lá ia ele com os companheiros para sua casa, ao avistar lá longe o marido dona Sancha exclamava: - `` Lá vem Nô com os velhos dele ``! Entrava e já ia gritando em bom tom: -`` Comadre Maria (era uma senhora que morava com a família), ponha mais água no feijão!`` Aquela era senha para anunciar que tinha mais algumas pessoas para ceiar com eles.
Sua amizade se converteu em prestação de serviços, pois providenciou para que muitos filhos desta terra de Maringá no bairro Nova Vida, principalmente, fossem aposentados ou encostados, conforme a necessidade do momento.
            O senhor Zé Izaque( funcionário de Possidônio Assis há mais de trinta anos), lembra que por volta de 1950, era jovenzinho quando Raimundo vinha do Sítio Pai Sandú, e si de longe o avistava, corria com seus irmãos menores para a estrada e ficava esperando ele passar só para ver a charrete de cabina de madeira e bancos bem forrados, na frente, dois cavalos grandes e bonitos sempre acompanhado pelo cocheiro. Disse ele: - `` eu corria para ver a charrete, pois achava bonita demais, depois ele comprou um jipe, as coisas estavam ficando modernas, mais me lembro bem da velha charrete!``  
             Queiroga, possuía também o hábito de ler jornal, como citei no inicio, aperfeiçoou a sua leitura aos poucos tornando-a cada vez mais frequente. Além do jornal impresso era assinante da revista sulamérica, se mantinha sempre por dentro das noticias.
Raimundo tinha suas fraquezas, era humano como qualquer outro ser, mas era amigo e trabalhador. Devido a sua vida simples de trabalhador na zona rural e permanência em casas de taipas, certamente facilitou para que adquirisse a doença de Chagas, e aos 81 anos coração frágil, após um enfarto partiu.
A Raimundo Queiroga, o meu muito obrigado, por sua generosidade. A educação desta cidade te deve muito, pois a partir do teu gesto de partilha abristes as portas para alfabetizar tantas mentes brilhantes desta terra. Elas tiveram a oportunidade de lutar e hoje serem reconhecidas, nos mais variados segmentos sociais, mas a tua ajuda impulcionou bastante o progresso da nossa Pombal-PB. Que Deus te dê a sua recompensa e te conceda a paz.
                                                                          Texto, Paulo Sério

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Napoleão Brunet de Sá, 17 de novembro de 1906 a 28 de agosto de 1964


Napoleão de Sá nasceu em Pombal, era filho do casal Julio Rabello de Sá e Olindina Ramalho de Sá, sendo os seus avos paternos Aristides Rabelo de Sá e Olindina de Sá, e materno Napoleão Carlos Brunet e Maria Ramalho.
No dia 30 de junho de 1928, casou- se com Maria Brunet de Sá (Sinhazinha), ela, prima sua e contava dezessete anos de idade. E juntos formaram uma prole de cinco filhos: Clóvis, Carlos, Claudete, Cláudio e Clemildo.
Em 08 de julho de 1934, participou juntamente com o ex-Vereador José Benigno de Sousa (Senhor Lélé), da fundação da Sede Operária Beneficente de Pombal. Foi também partidário do antigo PSD e acompanhava de perto a política como correligionário do Deputado Janduhy Carneiro e do Senador Ruy Carneiro. Nunca mudou de partido!
José Luiz lembra que conheceu Napolião, morando no sítio Brioso. E quando trabalhou na roça, gostava de limpar mato, certa vez fora picado por uma cobra Cascavel. Os mais antigos tinham o costume de dizer que a prática para curar a pessoa mordida de cobra era cuspir em algum líquido tipo leite ou mel, e depois dar ao moribundo, para beber(está pratica nordestina era bastante utilizada antigamente, e ainda hoje algumas pessoas apontam os seus resultados principalmente com animais a beira da morte no roçado), daí a pessoa ficava curada. Seu Alexandre(era curado de cobra, como se fala por aqui), já tinha sido picado várias vezes, ele morava no sítio Umarí de propriedade do senhor Antonio Martins de Sá, e foi chamado a ir ao amig, a fim de livra-lo dos ofídios venenosos da malacatifa. José Luiz de Sousa tem 90 anos de idade, e lembra que depois do episódio ocorrido, seu Napoleão o convidou a trabalhar com ele na Padaria Vitória, como ninguém quis lhe ensinar a mexer na massa, então fora designado para o balcão, despachando.
Napoleão, antes de montar a padaria, possuía um caminhão ano 1941, nesta época ele fazia fretes levando cargas de algodão para Campina Grande e trazendo mercadorias para o comércio de Pombal. A estrada era de barro o percurso da viagem durava três dias entre ida e volta, mas sempre o fazia.
A famosa bolacha peteca, que ainda hoje se ouve falar nas conversas dos amigos. “Já não se faz bolacha peteca como a de seu Napolião”, lembra Onídio, ele trabalhou no balcão da Padaria e conheceu de perto os produtos de panificação.
O estabelecimento comercial de seu Napoleão era localizado a Rua Ten. Aurélio Cavalcante, 78, vizinho as Lojas Paulista, como Padaria e Mercearia, tinha a denominação de Padaria Vitória, havendo seção de louças, alumínios e perfumes, e todos eles ainda são lembrados com sentimento de saudades. Em sua coluna publicada “aos domingos” no Jornal Correio da Paraíba, a do dia 11 de julho de 2010, a escritora Onélia Queiroga, escreveu um artigo em minha homenagem e no sexto parágrafo está assim: “Saboreamos as mesmas iguarias: O pão francês, o célebre pão doce e a gostosa bolacha peteca, fabricados, com receitas únicas e inigualáveis, até hoje, na Padaria do seu saudoso pai Napoleão Brunet.”
Foi ele juntamente com José Nicácio Amorim (Zurza Nicácio), um dos fundadores da Associação Comercial de Pombal em 26 de junho de 1962, reunião essa realizada no auditório da Sede Operária Beneficente de Pombal (SAOB). Guardo vagas lembranças do curto período que o conheci. Tinha uma massa corporal imensa chegando a pesar seus 110 quilos (naquele tempo era raro se vê pessoas obesas como se vê hoje), além de voz forte e grave. Certamente por ter um rosto cheio e redondo e pela corpulência de seu físico, quem o via pela primeira vez, tinha a impressão de que aquele homem fazia medo. Sua estatura mediana, seu corpo volumoso, olhar circunspecto, para os que não o conheciam, causava a impressão de um homem muito fechado. Não, não o era. Tinha muitos amigos e desfrutava de grande conceito nesta cidade, e era conhecido por ter um só peso e uma só medida! Neste seguimento  cito as palavras de Antonio de Cota, ele disse: -- Napoleão não tirava um tostão no preço da mercadoria, quando ia pagar minha conta ficava relutando pra ver se tinha um abatimento, mas, não cedia. O que acontece é que o método de seu Napoleão para um lucro honesto aplicava tão somente 20% sobre o valor de custo por isso não podia arriscar muito!
            Meu primo Oníldio Brunet de Sá contou-me que no velório de meu pai o Padre Andrade chegou e disse assim: “O negociante mais honesto de Pombal era Napolião, o preço dele era um só”. Declarou Onídio que se alguém dissesse: --“Seu Napolião acolá tem mais barato, ele respondia pode trazer a dúzia que eu compro”. E repetia diversas vezes.
Já o ex-operário Manoel Alves dos Santos, na intimidade Manoel das Broas, que trabalhou muitos anos com meu pai, conta que um dia Darciso, outro empregado da Padaria, chegou ressacado e começou a espanar as prateleiras. De repente derrubou uma caixa do perfume Miss France chegando a quebrar três vidros. O cheiro do perfume se espalhou e pai desconfiou. Indagado sobre o que estava acontecendo, Darciso resolveu confessar. Na ocasião pai ralhou com ele e disse que ia descontar no seu salário, mas no dia do pagamento Darciso recebeu seu salário integral, pois seu Napoleão já o havia perdoado.
José Alves Feitosa (Zezinho Caboclo), me disse que deve a educação de seus filhos a meu pai. O Sr. Chico Mendes pagou uma dívida a meu pai com uma casa que ele tinha no Bairro dos Pereiros. Certo dia seu Napoleão foi à bodega de Zezinho Caboclo lhe ofereceu essa casa, Zezinho disse que não podia comprar; meu pai lhe entregou a chave dizendo: --“a casa é sua você me paga da maneira que puder”. E assim, Zezinho Caboclo ficou com a casa que resgatou a dívida em três pagamentos. O valor total do imóvel foi de seiscentos mil reis. 
Por ocasião das férias eu gostava de me hospedar em sua casa e um dia resolvi que ia fazer um pavê de castanha para o almoço, para minha surpresa quando perguntei se ele queria, respondeu " sirva logo todo o mundo e depois passa o pirex para cá, porque eu vou comer a metade. Rimos muito e assim foi, depois que coloquei a porção de cada um ele se apossou do pirex e comeu ali mesmo e era mais que a metade. Quando eu perguntei se ele gostou ele respondeu prontamente: --"Se gostei? Amanhã pode fazer mais!”Aí então, eu fazia sempre algo diferente e ele se admirava porque eu sabia fazer tanta coisa gostosa. Lembro que ele não andava na calçada, andava sempre no meio da rua. Lá da porta da sua casa, a gente o via saindo da padaria em direção a casa, lá vinha ele remando pelo meio da rua e os carros respeitavam e paravam para dar passagem a ele. Pessoas honestas nunca ficam ricas. Assim foi ele e o meu pai. Tinham oapenas o que herdaram e só. Lembrou Mary Loide.
Meu pai nunca me bateu. Em meio às peripécias que eu fazia, bastava tão somente sua voz forte para atender de imediato ao que ele dizia. Nas madrugadas em que minha mãe me chamava para a aula de educação física do Colégio Diocesano e não atendia querendo dormir mais um pouco, ela falava para meu pai: --Napoleão! Clemildo não quer ir para a educação física”. Imediatamente ao ouvir sua voz forte, mesmo esfregando os olhos me levantava da rede como num passe de mágica.
      Certa ocasião estava eu e Claudete jogando ludo (tipo de jogo que as pedras se movimentam segundo o número indicado pelos dados), houve uma discussão e eu arremessei o copo com os dados na testa de Claudete que saiu chorando; Ele veio ao encontro da confusão e quebrou a tábua do ludo mesmo no meio acabando definitivamente com a competição.
          Quando criança, Socorro Martins(historiadora), lembra que ela e os amigos passavam na Padaria Vitoria daí gritavam: -- Napoleão do Buchão, me dê um pão! Depois juntava na carreira, pois sabia que ele dava a preta com o versinho, como menino não é gente, tudo era relevado!
 Vítimado por um enfarto do miocárdio (colapso), em sua residência a Rua Cel. José Fernandes, antiga Rua do Rio ás 9 horas da noite, ele nos deixou.
A Napolião, um rei na arte da panificação, e pelos serviços prestados a nossa Pombal o nosso muito obrigado! Seus produtos adoraram as mesas de muitos pombalenses e por todas as classes sociais, que Deus o recompense e te conceda a Paz!


Texto, Clemildo Brunet, contribuições de Paulo Sérgio.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Antônio Venâncio Damaceno, 08 de setembro de 1931 a 10 de dezembro de 2010


          Nascido em Pombal, era filho do casal Manuel Venâncio Damaceno e Alice de Paiva Ponce Leon (nascida no ano de 1898). Seu pai foi enfermeiro de Dr. Avelino Elias de Queiroga. Logo cedo se separou da esposa, que assumiu sozinha as obrigações com seus quatros filhos, daí o nome, Toinho de Alice.

Estudou apenas as primeiras letras, pois aos 7 anos de idade, começou a trabalhar junto com seus três irmãos, para ajudar sua mãe e manter as despesas de casa. Nesse período Toinho de Alice, trabalhou vendendo cocada, alfininho e bolinhas de cumaru que sua mãe cuidadosamente preparava para serem vendidos no comércio. Soube que um de seus irmãos ficou com uma coroinha na cabeça, pois queimou os cabelos de tanto levar os tachos quentes de alfininho.
Fazia mandados, para Mizinho e Tanzinha Formiga em troca dos bolões de rapadura que sobravam da moagem (eram sobras que ficavam guardadas para serem derretidas na próxima moagem), ele pegava para sua mãe fazer os doces e para comer também, uma vez que o doce dos humildes naquela época não tinha outro nome, para todas as idades era rapadura mesmo!
Toinho carregou água num jumento abastecendo as casas da cidade, pois não havia água encanada. Era tão pequeno que mal alcançava tirar as latas de cima do jumento, sua mãe tinha de ajudá-lo! No jumentinho ainda, colocou barro para diversas construções que havia na cidade.
Sempre ia ao sítio genipapo de propriedade do senhor Chico Benigno, e seguia com o amigo Zé grota (irmão caçula de dona Luzia) para fazer os mandados de Luzia Benigno, a quem considerava uma segunda mãe, pois era muito boa para ele e para sua família. Agora depois dos mandados terminados vinham correndo pra a Rua do Fogo na casa de Dona Chiquinha mãe de Luzia e seu amigo para comer uns pedaços de pão que segundo ele ficavam guardados dentro de uma lata, mas eram novos!
Foi ajudante de Senhor Queiroz pai de Miguel Queiroz, na sua oficina no centro da cidade.  Foi alfaiate, com os senhores Adamastor Gouveia e Josafá Gouveia. Além de membro da banda de música de Laércio, pai de Mamá contador, onde tocava clarinete.
Toinho de Alice teve de ficar em companhia da mãe que estava doente, porque os irmãos viajaram para tentar a vida fora do sertão, foram para o sul do país. Por aqui ele trabalhava e cuidava dela.
No ano de 1957, precisamente em 30 de outubro, ele casou com Dulce Barbosa da Silva com 16 anos de idade, que depois passou a si assinar como Dulce Barbosa Damaceno. A partir daí seu sogro Luiz Barbosa, um antigo comerciante na cidade e dono de muitas posses, o convocou a deixar a banda e assumir os negócios da nova família. Como era de costume montar um negócio para cada filho que casasse seu senhor Luiz deu a sua filha Dulce, e ao genro Toinho de Alice oportunidade de iniciar sua vida conjugal, uma forma de incentivar a responsabilidade na vida a dois! Então comprou o prédio do senhor Josafá, montou a Bodega e entregou para eles, ficando como sócio até quando seu Toinho se estabilizou e pôde comprar a sua parte na sociedade.


Em 1970 comprou a rural, do seu Sogro Luiz Barbosa, aí fez a alegria dos colegas de turma dos filhos além de outros próximos a sua casa! Fazia a lotação e deixava do João da Mata ao Estadual, os filhos e os amigos dos filhos! Era comum ver os meninos gritarem: - Vamos lá pra Toinho que agente vai de Rural! E todos desembestavam na carreira para a casa de Toinho de Alice. A rural era o carro de luxo na década de 70, mas além de Mine coletivo foi o taxi para os idosos, e a ambulância dos doentes que batiam sua porta a qualquer hora do dia ou da noite para serem conduzidos ao hospital!
Seu Toinho era do tipo pacificador, conseguia tudo que queria até mesmo por fim aos namoros das filhas, mas sem repreender. Ele conversava e  conversando as levava a reflexão sobre a personalidade do namorado! Como falei, era pacificador, pois nunca gostou de justiça ou intrigas, seus clientes faltosos, nunca eram tidos como velhacos, mas como impossibilitados no momento! –Algo pode ter acontecido mais ele ainda vêm!


O filho de dona Alice não possuía luxo ou avareza, sua alegria maior era ver reunida e unida toda sua família nos almoços de domingo com mesa farta, costume que continua até hoje! Ele gostava de observar e de brincar com os netos: Elon, Laice, Heberton, os gêmeos, Higor e Hiago, Ian Nunes, Antônio Neto, Kaliel e Maria Clara além de vê-los brincarem juntos.
É mais ou menos assim: Quando ia se aproximando às 11h00min, chegavam Lairton(seu mimo), acompanhado da esposa Edineuza, Luizinho e Rosinha sua esposa, Lenilda, Lilian além de Luciene e Lidiane que moravam com eles.
Homem justo que era, fazia despertar nos seus filhos o gosto não pelo dinheiro, mas pelo saber e dizia que a sua herança seriam os seus estudos, seu legado seria os estudos.
Pregava a honestidade, e neste termo o amigo Dr. Nildo, me revelou que ele confidenciara certo dia o seu segredo para conservar a bodega com as mesmas características de quando os dois se conheceram há 40 anos a trás, é que dentro da bodega só entravam mercadorias lícitas e nada comprava a prazo!  A honestidade, o respeito aos idosos, aos especiais (vulgo, Doidos) e também as crianças. Ele dizia: - Nunca aperrei um doido!
-Trate bem uma criança, pois ela é o futuro. Depois você vai se deparar com ela no futuro, e tudo que fizeres com ela não será esquecido com o bem ou com o mal.
            Adorava brincar e conversar com as crianças, nunca negava ajuda aos necessitados que passavam por sua porta, talvez lembrando o passado de dificuldades que tivera tão pouco se omitia a emprestar dinheiro. Ele gostava de fazer amigos, dentre eles eu cito: Severino Espalha, Clóvis do grupo pontões, Doutor de Júlio Calixto, Chico Arthur, Rubens irmão de Roberto, Chico Preto de Lucenir(eles me revelaram que a sua casa foi comprada a partir do apalvramento de Toinho, e do seu conselho de aproveitar aquela oportunidade), e o seu quase irmão Nitor entre tantos  outros que seria impossível elencar neste relato. Dona Dulce me revelou que certa vez uma família veio para a feira e um de seus membros precisou ser operado as pressas, ele emprestou por tempo indeterminado a importância necessária para o ato cirúrgico!
Por seu estabelecimento comercial passaram todos os médicos antigos da cidade, e saborearam o famoso pão com creme na bodega, mas o Dr. Atêncio, fazia questão ainda de propor: - Vamos trocar sua bodega pelo meu consultório Toinho? E após a negativa, sai rindo pela Rua do comércio! Pela bodega passaram muitos moleques nutridos na massa do milho e diversivicavam o dia a dia com um pão com creme, e hoje muitos destes se tornaram celebres profissionais nos mais variados seguimentos culturais. Até eu algumas vezes entrei lá para comprar pão com creme e achava tudo intrigante, ele mantinha tudo como no passado, o telefone num canto a esquerda, o tambor do creme a baixo do balcão e a colher de madeira que dona Dulce passava o creme em dois ou três pães de uma só vez. Depois o mais engraçado para mim era enrolar os pães no papel de embrulho sobre os pesos da balança no balcão.
Como de praxe, recebia visitas de amigos em sua casa (algo que amava), ou ia visitá-los acompanhado se sua esposa!
Senhor Nitor, relatou-me um episódio de Toinho, que jamais esquecerá, ele ficou sabendo da compra de um terreno, e encafifou que Nitor deveria construir logo a casa. Não é que o caviloso Toinho, enviou quatros homens para João Pessoa! Principalmente lá que não tinha nada, era apenas o terreno! E agora? Ligou para o amigo que foi logo dizendo que ficasse como trabalhadores por lá que ele manteria as famílias por aqui, e assim o fez! Adquiriu um empréstimo encaminhado por Maria Alves junto ao banco (por ser da cooperativa dos Ferroviários), e conseguiu concluir, hoje a casa esta erguida no bairro da Torre na rua principal, 45. Ele pagou o empréstimo, o amigo os trabalhadores, e não vendeu a casa por valor dobrado, após concluí-la em memória ao amigo que lhe teve consideração!
 Ao amigo Toinho de Alice, muito obrigado! Pelos feitos seus sobre este solo pombalense, sua vida foi longa, sofrida, mas bem vivida, pois viveste o típico cidadão nordestino que sofre, luta e nunca desiste de lutar! Ajudates a escrever com penas de ganso e ponta de ferro, os rumos vitoriosos de sua existência, fazendo o bem e cativando o bem! Algumas vezes a grandeza de um homem é revelada na pequenez dos seus atos, e nisso és vitorioso! Que Deus o recompense em sua glória celestial, e descanse em Paz!
       
                                                                                     Texto de Paulo Sérgio.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Lairton Barbosa Damaceno, 06 de Setembro de 1960 a 31 de Maio de 2004

      Lairton nasceu na cidade de Pombal, e era filho de Antônio Venâncio Damaceno (Toinho da bodega), e de dona Dulce Barbosa Damaceno. Como qualquer menino da sua idade brincou pelas ruas de sua cidade, em especial a afamada Rua do Comércio, onde está localizada bodega da família. Era o xodó de seu Toinho e se tornou em vida seu melhor amigo!
Com apenas 8 anos de idade, para ir tomando responsabilidades começou a ajudar o seu pai  no atendimento aos fregueses, claro, sempre no horário oposto dos estudos. Naquela época já freqüentava a Escola Estadual ``João da Mata``, antes disso passou pelo Colégio de Mariza de Cota(uma das professoras da época), depois passou para a Escola Estadual ``Arruda Câmara``, e mais tarde concluía o terceiro grau na cidade de Campina Grande, pela Universidade Federal da Paraíba-UFPB(Hoje UFCG), o curso de licenciatura em História. Nessa época seu grande companheiro era o primo Eronildo Barbosa, hoje um famoso historiador.
Quando adolescente andava sempre em companhia de Ranilsinho a quem chamava de ``Meu grande La môo``, Assis e Chagas (os gêmeos), estes filhos de Bulita, além de muitos outros a quem conquistou e não me foi possível elencar a todos, mas juntos aprontavam muitas cavilações. Era um sujeito muito engraçado e conseguia mexer com todo mundo sem faltar com o respeito ou fugir aos princípios ensinados por seu pai Toinho, além do mais sua palavra-chave era : Amizade, e por isso prezava por ela, algo que conseguiu fazer sem muitos esforços!
No dia 06 de Janeiro de 1995 casou-se com Edineuza Linhares, e o Padre Sólon Dantas de França, foi a testemunha que assistiu ao juramento dos dois. Neste relacionamento, tiveram três filhos, que eram suas grandes paixões: Heberton, e os gêmeos, Higor e Hiago .
            Um exímio, brincalhão, sempre aperriava a todos de sua família em especial sua irmão Luciene. Como ela estava sempre participando de congressos pelos vários estados da federação, sua mãe Dulce, que o conhecia muito bem, fazia questão de revelar  ao filho sobre a viajem planejada por sua irmã, daí a pouco ele começava: - Mais ... Já vai viajar?! E isto a deixava louca,mas sabia que era mais uma de suas brincadeiras!
             Segundo o senhor Nitôr, (um amigo da famíliai), uma vez ouvira o amigo Toinho comentar que estava precisando trocar os pneus do seu carro e não estava dentro de suas possibilidades naquele instante. Foi aí que teve a idéia de combinar com Lairton (o peralta da família), para pedir a Rural do pai emprestada a fim de resolver assuntos pessoais. A desculpa serviria para terem tempo de promover a troca de dois pneus novos, e como sempre foi presepeiro, assim o fez!  Depois da troca dos pneus do veículo, quando chegou à frente da bodega, não é que o pneu dianteiro estourou! Seu Toinho correu para ver o que havia acontecido, e percebeu que havia algo de diferente no veículo, indagou do filho se havia feito algo, ele negou! Mas já era certo em sua mente que a idéia havia partido do seu grande amigo NItor. A solução para este problema foi procurar mais dois pneus meia vida e calçar o carro da família!

Seu sonho de juventude era ser médico como não foi possível, dedicava-se a leitura de diversas obras. Não assumiu o magistério, tinha pouca afinidade para lecionar sobre os fatos na história, entretanto descobriu sua habilidade e a aperfeiçoou através de um curso de eletroeletrônica, a partir daí começou a trabalhar consertando ferros, ventiladores, liquidificadores entre outros. Montou uma oficina num quarto na casa de Rosinha sua Cunhada. Foi nesta pequena oficina que ele adquiriu o sustento para a sua casa e deu a oportunidade a pessoas como Jandilson da farmácia, Rony de Raminho e  Herlon de Cícero, estes últimos, trabalharam com ele até o seu derradeiro dia  entre nós sobre a Terra.
Ele era amigo, centrado e organizado financeiramente, e quando descobriu que precisava realizar uma cirurgia devido a um problema cardíaco que possuía, e pelos estudos que fizera sobre o assunto, sabia que haveria complicações. Decidiu então viver até o dia que o Criador o permitisse, e assim o fez.
Lembro-me de Lairton passando todos os dias ao lado da igreja matriz em direção ao seu trabalho, gostava de usar uma camisa branca de linho, calça social e sandálias (provavelmente os mesmos trajes do seu genitor, a quem admirava muito), nas mãos uma garrafa térmica, uma bolsa, e nos lábios um sorriso de canto a canto, sempre saudando a todos que por ele passavam. Sempre passava pela oficina e parava para conversar um pouco, pois eu precisava trabalhar na matriz, ele sempre muito atencioso.
A Lairton Damascena, obrigado, pelo carinho e pelas brincadeiras que tantas vezes nos alegrou e pelos seus serviços que fizeram parte da história e do processo de construção de nossa Pombal. Que o Deus da Vida o recompense e te conceda a paz!
                                                                                                      
                                                                                                        Texto de Paulo Sérgio